Santo acesso

Jairo Marques

“Zente”, camelando bastante, já tive a chance de conhecer, sei lá, uns dooooois ou três lugares do mundo. Mas foram nessas últimas férias que pude viver a experiência de saracotear pelo que considero o mais incrível país do globo: o Vaticano.

Vista da Basílica de São Pedro de uma das janelas dos museus do Vaticano

O passeio até o “Santíssimo” local é uma experiência incrível tanto no aspecto emocional como no intelectual, no histórico e evidentemente no turístico.

“Beleza, Zairão, mas como rola para os ‘malacabados’ esse passeio todo bam-bam-bam?”

É tudo “di boa”, ‘zimininos’. O Vaticano tem duas partes principais para nós, os mortais comuns: os museus (de onde se acessam as capelas, inclusive a mais famosa, a Sistina, os jardins do papa, os acervos de preciosidades etc) e a Basílica de São Pedro.

Pátio interno dos museus do Vaticano

Na parte dos museus, há alguns locais (poucos) sem acessibilidade. O acesso é por meio de escadas, mas os pontos de maior interesse são tranquilos para ser freqüentados por cadeirantes, muletantes, cambaleantes…. 🙂

Há audio-guias disponíveis, que podem ajudar um bocado os cegões, e informações escritas (em inglês e italiano) em quase todos as obras que auxiliam os ‘zimininos’ com o escutador de novela avariado!

Uma das salas de exposição nos Museus do Vaticano

Ao longo do percurso pelos museus (é muito longo e é preciso preparo e disposição para rodar ou andar tanto! Quem se ‘arriscar’ a ir sozinho, pode não ter fôlego para tocar a cadeira o tempo todo) há indicações sobre os caminhos que devem ser seguidos por cadeirantes.

Placa sinalizando caminho a ser seguido por pessoas com deficiência

Atenção, não há como fazer o circuito tradicional, pois há degraus, passagens muito estreitas e obstáculos impossíveis para quem tem “cavalo” ultrapassar. Há mapas mostrando os caminhos e os seguranças são bem gente boa para dar informações.

Deficientes pagam entrada normalmente, sem desconto, e pegam filas, que são ziiiigaaantes. Como segui a dica da minha leitora “viajada” e queridíssima plus Denise Crispim, comprei os ingressos antecipadamente pela internet. O link está no coraçãozinho!  

Quem compra antecipadamente vai direto para a fila de entrada. O saguão é meio muvucado, lotado de gente e um pouco confuso. Quem tem dificuldade de locomoção, o lance é pegar logo o elevador (bem disputado) e começar o passeio!

Piso liso auxilia na locomoção da cadeira

São centenas de objetos sacros e artísticos para serem apreciados. O piso é lisiiiinho e fica fácil de circular. Mas por todo canto, há centenas de pessoas. É preciso ter paciência para contemplar alguns setores.

Para chegar até a inigualável Capela Sistina, com a magnífica obra de Michelangelo, é preciso usar um elevador que dá certo medinho, mas que é bem seguro. Saquem minha cada na fota abaixo… 😉

Tio no elevador que descia a escada de acesso à Capela Sistina

Dentro da capela rola um formigueiro humano. Então, tem que ir devagarinho até arranjar um espaço bacana!

Teto da Capela Sistina pintado por Michaelangelo

#Ficaadica para que reservem um bom tempo para ver também as obras da Pinacoteca, de extremo valor histórico, de grande beleza e de pintores extraordinários!

Os banheiros acessíveis ficam trancados. É preciso pedir para que as tiazinhas que ficam uniformizadas próximo ao local abram.

Depois de umas ciiiinco ou seis horas (no mínimo) dentro dos museus, ainda falta o “grand finale”: ir até a praça de São Pedro e entrar na majestosa basílica de mesmo nome. Independentemente de sua crença, o impacto que o local causa ao coraçãozinho e a alma é dos maiores.

Praça de São Pedro, localizada em frente à Basílica

Não se assuste com as escadas e degraus que existem por ali. Procure que haverá uma rampa bem segura e simpática. A entrada da basílica, para cadeirantes, é por meio de um elevador que fica em um prédio anexo. Há indicações por todo canto.

Parte da frente da Basílica de São Pedro

Chegando lá no alto, é preciso vencer mais uma rampa para, enfim, estar diante de um momento dos mais arrebatadores do planeta. A partir daí, reza, fotos, deslumbre, lágrimas nos olhos e muita reflexão.

Rampa diante da entrada da Basílica de São Pedro

 

Dentro da basílica há outro museu, pequeno, mas que guarda relíquias de vários papas. Esse é “de grátis” pros estropiados e seus acompanhantes. Vale a pena investir meia hora ali.

Tio da sacada da Basílica, com vista para a Praça São Pedro

Fui, juntamente com meu minha patroa, ao Vaticano de táxi. Do centro histórico de Roma até lá não é caro (cerca de R$ 30). É mais garantido e prático, mas há como chegar de metrô (os elevadores das estações nem sempre funcionam) ou de ônibus (há diversas linhas adaptadas).

Dúvidas? Deixem nos coments!!! Bora viajar, gente!!!!

Comentários

  1. Rapai, com a confusão mental que me ataca sempre que estou no meio de uma multidão, aliada à preocupação com o Lucas (a curiosidade do moleque tira dele todo o senso de responsabilidade, e ele sai doido querendo ver tudo de uma vez), acabei não notando o elevador que você, todo garboso, mostra pra noistudo.
    Também tirei fotas da Capela Sistina, apesar da ‘proibição’ sem sentido. Será que eles temem que a gente vá plagiar o Michelângelo?
    Foi muito legal visitar o Vaticano, apesar de eu ter saído de lá com certa vergonha alheia, pela riqueza e ostentação que considerei excessiva e descompassada com os hábitos daquele que, em tese, é o grande inspirador de tudo.

    1. Tb saí com esse sentimento que vc tão bem expressou em palavras… qdo fomos, as fotos estavam liberadas, mas não podia falar ahahhhaha

  2. Oi, Jairo, fiz esse roteiro há 3 anos, foi tudo de bom. Muita fila, ainda assim, adorei !!! Quero voltar, com mais tempo … E vc, sempre generoso, compartilhando as dicas e fotos com todo mundo. Bjs!

  3. Como muitos já disseram, viajo em cada post seu! Os museus do Vaticano são fantásticos, não é? Os admiradores de arte piram, como diriam hahahaha
    Olha, eu fiquei embasbacada com a capela sistina, mas as Stanze di Rafaello quase me fizeram chorar… Meu Deus, o que é aquilo?
    Os Museus Vaticanos realmente foram o ponto alto da minha visita a Roma.
    Gostei do elevadorzinho! E fico feliz que a dica de comprar o ingresso antes tenha sido útil (fila é um sofrimento, uma perda de tempo, né?)
    Beijos

  4. Sobrinho, to meio somida, pois as coisas tão corridas. Tô indo para Itália no domingo, valeu pela dica. bjs

  5. Santo acesso, santo passeio. Que maravilha é ir para o Primeiro Mundo, a gente se sente gente, não é mesmo?
    Foi facil pegar taxi?

    1. Foi bem fácil, Betinha… Táxis por lá, geralmente, são carros bem grandes e que cabem fácil a cadeira. Tb há táxis acessíveis!!! Bjosss

  6. Eu tenho uma dúvida sim: posso ir junto na próxima? ahaha Adorei tua foto toodo pimpão na frente da Praça São Pedro! Mas aí pensei em 2 coisas: 1- aqui investem em turismo de estudante, turismo de terceira idade.. por quê quase não ouço/vejo reportagens ( exceto as tuas!) e politicas pra estimular o turismo dos egualepados? Nós não somos todos um bando de pedintes,poxa! 2- até na Zoropa que tem zilênios de história tem mais acessibilidade nas obras antigas e aqui que tem obras que nao chegam a 200 anos de idade é uma briga pra fazerem acessos.. espero que um dia mude. Abraço!

    1. O Ministério do Turismo começou alguma coisa nesse sentido, Thiagão… ainda é pouco, ainda é preciso avançar, mas já há uma iniciativa…. Abrasss

  7. Jairo, fiz esse passeio e amei! Não enfrentei fila e entrei pela porta principal da Basílica de Sao Pedro, graças a simpatia da Guarda Suíça que me deu acesso livre. Fiquei maravilhada com tudo!!! E a Pietá? Achei pequena, imaginava uma estátua enorme, mas uma obra de arte!! E as cores do mármore? Poderia ficar horas falando falando sobre tudo! Vale muito a pena visitar o Vaticano, independente de religião, é um passeio q só nos faz bem!Bjo!

    1. A Pietá deixa a gente pequenininho, né?! Achei lindo demais… emocionante… e vc entrou por aquela entradinha privativa??? Dos guardinhas engomados?!?! Mas que beleeeeeeza!!!! Bjosss

  8. Égua tio, obrigada por dividir com a gente esses momentos de beleza: A viagem dos meus sonhos…

  9. Que bom viajar e ver o mundo sem ficar estressado porque faltou acesso. Em vez de ficar remoendo que falta acesso aqui e ali a atitude correta e eficaz é essa mesma, divulgar o que há de bom e cobrar o que está faltando. Colocar a boca no trombone, os dedos no teclado, e que o mundo ouça, conheça e atenda as necessidades de todos. Sua atividade no blogão tem sido o ponto de partida para que a gente comece divulgar e reclamar acessibilidade. Eta coisa boa.

  10. Ai que passeio delícia!
    tio, conforme sua narração fui me imaginando em cada cantinho. Obrigada por compartilhar e mesmo sem as fotos pude me maravilhar com estas emoções.
    ainda bem que é acessível, afinal já que somos filhos de Deus, imagine se para chegar um pouco mais perto dele também fosse difícil….. Beeijo e conta mais, conta mais!

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