Arquivo - Categoria: Versão impressa

2017: o ano da diversidade

Empresas modernas do mundo todo, conectadas com o anseio de novas gerações e com o barulho estridente das antecessoras e das redes sociais, começaram um forte movimento de aplicar em seus valores internos e em suas atitudes de mercado o poder que múltiplas representações humanas têm no ambiente produtivo e na capacidade de construir inovações,(…)

“Prendam aquele miserável sem dedo”

Nada como o conflito, a raiva e os embates mais calorosos para tirar das sombras pensamentos que explicitam o quanto uma diferença física ou sensorial tem poder de incomodar parte das pessoas. Quando os argumentos falham ou não são suficientes para satisfazer a revolta a contento, são os incontestáveis “defeitos de fábrica” os alvos de(…)

Muito além do ‘quarto de Jack’

Morri um pouquinho assistindo ao premiado “O Quarto de Jack”, ainda nos cinemas. A angústia de acompanhar mãe e filho trancafiados em um cubículo e ali construírem limitados conceitos de mundo e de possibilidades de vida me remeteu imediatamente ao pensamento de que milhares de pessoas com deficiência no Brasil também têm paredes estreitas como(…)

Fragilidades de um pai fresco

-Amor, corre aqui, “pelamor” de Deus- gritou amarrando lágrimas a mulher. Quando se pede a um cidadão cadeirante que está desmanchado em um confortável sofá que corra é porque a situação é de calamidade pública. Quando esse pedido vem de sua mulher, que conhece suas lerdezas como ninguém, é porque começou uma hecatombe. Ajeitei-me na(…)

Multa mais cara adianta?

Desde a semana passada, quem enfiar a charanga sem necessidade e direito em vagas de estacionamento reservadas ao povo quebrado das partes ou idoso está sujeito a tomar multa com valor aproximado de meia leitoa: R$ 127,69. O custo mais do que dobrou em relação ao antigo, infração de categoria leve; mesmo assim, permanece uma(…)

‘Maulicio’, 80

Só vi o seu Mauricio de pertinho uma vez e foi exatamente como tinha de ser, como aparecia em meus sonhos infantis. Ele me abanou um tchau e me soltou um sorrisão simpático, carismático. Tomou fôlego e seguiu com seus cuidadosos passos de pessoa com 79 anos, distribuindo olhares de abraço e cativando gente pelo(…)

O Rio de lágrimas

A menos de um ano da Paraolimpíada do Rio, a prefeitura da cidade anunciou que vai começar a fazer, a partir do mês que vem, algumas rampinhas para tentar ajudar a vida do povão quebrado das partes -milhares de pessoas, de diversos pontos do mundo- que tomará conta dos espaços públicos cariocas e zanzará em(…)

A dura vida de um repórter cadeirante

Mesmo não andando uniformizado e tendo o corpo esculpido pela cevada, já tive de responder umas dez vezes que, não, não sou um esportista cadeirante perdido aqui pelas ruas de Toronto, no Canadá, onde faço a cobertura dos Jogos Parapan-Americanos. Parece ser universal a associação entre ter uma deficiência e não poder desempenhar uma função(…)

Nosso estranho amor

—Que maravilha você ter vindo acompanhar sua irmãzinha hoje. Vocês são superparecidos, sabia? E como ela é cuidadosa contigo! Dá para ver na cara dela o carinho que tem por você. Coisa mais linda, viu. Fico até emocionada… Olho ao redor em busca de minha irmã, embora eu estivesse certo de que a cabeleireira falava,(…)

Verdades alheias

É quase incontrolável no “serumano” querer cuidar da vida alheia e, consequentemente, avaliar que sabe o que é melhor para os outros e até tentar tomar atitudes com o talão de cheques que não lhe pertence. Escrevo sobre algo diferente e mais significativo do que aconselhar, orientar. Escrevo sobre tomar para si uma verdade que(…)