Vale a pena colocar “motorzinho” para turbinar cadeira de rodas?

Nos últimos três anos, o mercado de equipamentos de assistência à vida pro povo “malacabado” tem crescido um bocado. Muita coisa boa tem surgido, mas também resistem as invenções que são feitas sem a perspectiva da pessoa com deficiência, o que costuma ser um fracasso.

Entre as ofertas que mais têm feito sucesso são mecanismos que motorizam cadeiras de rodas manuais, ou seja, dão aquela turbinada no povo …uuuia. Isso só tem sido possível porque as baterias estão mais leves, menores e com duração de carga mais longa.

Embora possa parecer a salvação da lavoura, algo “maraviwonderful”, deixar de fazer esforços com os bracinhos para apertar um botãozinho do acelerador, nem sempre vai ser realmente uma solução de mobilidade perfeita.

Por uma questão de saúde, pessoas com deficiência física que podem fazer movimentos de impulsão com suas cadeiras não devem optar pelo “comodismo”. O movimentar do corpo é importante para qualquer “serumano” e não se deve abrir mão disso.

Homem testa o modelo de motorização “fire fly”, americano

A primeira coisa a se considerar antes de comprar o “motorzinho” é pensar que tipo de uso se pretende dar a ele e em que situações se pretende usá-lo. Por enquanto, não é possível dizer que os mecanismos são “práticos” e muito usuais.

Todos os modelos populares disponíveis no Brasil, incluindo um nacional, são relativamente pesados, não se acompanham com praticidade e facilidade à cadeira e não são cômodos para o transporte (ocupam bom espaço no porta-malas do carro). Claro que há cadeirantes mais descolados, com maior preservação de força que se dão bem, mas essa não é a realidade da maioria.

Nenhum dos modelos disponíveis, por exemplo, eu, que tenho a força do Rambo depois da gripe, consegui acomodar sozinho na cadeira. Não consigo me posicionar e posicionar o equipamento ao mesmo tempo. Isso, por si só, é um grande empecilho.

Outro ponto sensível a esses equipamentos é a acomodação dos dispositivos à cadeira. Demora um tempo até que se ache a altura ideal, a inclinação etc. Uma vez ajustado, é um outro processo de adaptação: não dá pra sair a mil por hora achando que você tá podendo… o comportamento da cadeira de rodas com o “motorzinho” muda e uma manobra mal pensada pode levar o cadeirante ao chão.

“Tio, mas fala algo bom do negócio, né?!”

Fiquei alguns meses usando o mais novo concorrente desse mercado de motorização, um modelo chinês, que está em estudos pela Cavenaghi para a entrada no Brasil. O modelo promete ser o mais barato entre os concorrentes e com funções muito semelhantes às dos concorrentes.

Para quem vai a um parque público, percorrer grandes distantes dentro de um recinto, o “motorzinho” é excelente. Ajuda demais: funciona muito bem em terrenos lisos como também em calçadões, terremos gramados ou de terra batida.

O equipamento aguenta peso sem reclamar (carreguei minha filha no colo por bons quilômetros!), tem ótima autonomia (roda por tês, quatro horas sem que a bateria dê sinais de esgotamento), passa segurança para a descida e subida de rampas, é extremamente silencioso.

Imagino que para pessoas que vivam em cidades médias ou pequenas, seja possível usar a motorização com tranquilidade para ir ao trabalho, à escola ou para compromissos outros “na rua”.

O inconveniente é que, com a cadeira acoplada ao “motorzinho”, ela ganha novas dimensões e não cabe em elevadores mais justos, não se acomoda em mesas e altera a dinâmica de pequenos deslocamentos. Então, talvez, o ideal seja desacoplar o motor quando se chegar a um ponto de interesse.

O Kit Livre é o equipamento de motorização nacional. Tem tido sucesso de vendas e é projetado para diferentes necessidades

Por enquanto, uma solução de motorização que me parece a mais avançada é o modelo “smartdrive”, importado, e que funciona de maneira completamente diferente dos outros modelos que transformam a cadeira num triciclo.

 

O Smartdrive porém, é para muito poucos. Como é importado, o equipamento é comercializado no Brasil por cerca de R$ 20 mil, algo bem distante da realidade da maioria dos cadeirantes do país.

Comentários

  1. Ainda não considerei comprar um desses que transformam a cadeira num triciclo porque acho os equipamentos muito grandes e pesados. Uma vez acoplados devem ser muito bons pra percorrer grandes distâncias, mas pra guardar e transportar com certeza causam alguns transtornos. O Smartdrive é uma solução mais legal, mas mesmo nos EUA o preço dele é muito salgado. Em uma viagem recente por lá dei uma sondada pra ver a possibilidade, mas custando algo em torno de 6 mil dólares fica um pouco difícil…

  2. Conheço um triciclo que pode encolher e virar uma maleta com rodinhas, daquelas que se usa para viagens aéreas. Ele é fácil para montar e mais fácil para montar, pesa até 25 quilos para colocar no porta mala do carro. Anda em ruas mal asfaltadas, em calçadões, nas estradas de terra e em campo de grama. Há um destes modelos que até sobre escadas com degraus normais. Preço? 12.800,00.

  3. O custo de importação de equipamentos de assistência e mobilidade é proibitivo. Quando entram no país “legalizados” seu preço mais que dobra. Tudo para proteger a “indústria Nacional”, que nos oferece cópias toscas e mal montadas (usando motores de limpador de parabrisas e baterias comuns, controles eletrônicos de máquina de lavar, etc) e com vida útil curtíssima (2 a 3 anos) e preços quase iguais aos importados (absurdamente superiores em duração e desempenho). Eu só compro cadeiras importadas, são bem caras mas duram 10 anos facinho (tenho uma para deslocamento interno e viagens que já tem 16 anos). Sem falar que os nacionais se reduzem a uma dúzia de modelos (feios) contra centenas dos estrangeiros.

  4. Sou assinante da Folha, e semanalmente me deparo com a necessidade de confirmar minha assinatura.
    Isto deve ser revisto meus amigos.

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