Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Com uma rebolada, Anitta fez mais por inclusão do que qualquer outra celebridade nacional

Por Jairo Marques

Posso escrever mil, cem mil textos e postagens em redes sociais falando da necessidade urgente de termos um país mais inclusivo, mas atingir o público jovem/adolescente, que é o que pode construir o país do “todomundojunto” é muito desafiador em termos de linguagem, de como chegar até ele, de como causar impacto a ele.

Pois, em uma rebolada, a cantora pop Anitta, expoente máximo de sucesso na atualidade, conseguiu fazer um golaço pela inclusão. Colocou no palco e interagiu de maneira natural com Felipe Rodrigues, dançarino com Síndrome de Down, que irá reforçar sua equipe.

Mais do que isso, começaram a circular informações de que a cantora irá ter uma trupe de pessoas com deficiência em seu corpo de baile, o que seria inédito no mundo das celebridades.

Seria oportunismo da moça para avançar ainda mais em ganhos de imagem? Não sei responder, mas o que é fato é que Anitta dá uma injeção de autoestima, de ânimo e de motivação tanto em pessoas com deficiência como em “serumano” comum que se nega a ser mais inclusivo, em abrir portas de oportunidade para a diversidade.

Nenhuma outra celebridade nacional tomou atitude tão inclusiva abrindo espaço em seu próprio habitat, o palco, o show, o ganha pão, para mostrar que todos podem e devem dançar, requebrar, a sua maneira (não sendo injusto a Tatá Werneck, que também atua há vários anos com inclusão, mas de outra maneira). O empréstimo de seu carisma à causa da inclusão tem impacto com repercussões sociais inimagináveis.

Ainda não houve por parte da cantora nenhum discurso pela valorização da diversidade física, sensorial e intelectual, o que ela já fez pela liberdade de gênero, mas penso ser isso a cereja desse bolo que ainda está sendo produzindo, pelo que tudo indica.

Sempre cobrei e defendi que alguma personalidade deste país poderia ser expoente do povo “malacabado” em suas milhares de aparições na mídia, o que é feito de maneira bem pontual. Tomara que agora, finalmente, seja a hora. Prepara!

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