Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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86% dos brasileiros votariam num cadeirante para presidente da República, diz Datafolha

Por Jairo Marques
Cadeirante em rampa interna do Palácio do Planalto, em Brasília

A representação política de pessoas com deficiência ainda é muito baixa no país, não atingindo 2% na Câmara Federal e menos que isso no Senado. No Estado de São Paulo, o reflexo segue praticamente o mesmo, com a diferença de que na Câmara de Vereadores não há nenhum representante do grupo social, enquanto que na Assembleia Legislativa já há representação uma.

Mas a depender da vontade do brasileiro, esse quadro tem amplo potencial de mudança. Segundo pesquisa do Datafolha, instituto de pesquisa da Folha, em parceria com a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), nove entre cada dez brasileiros votariam em um cadeirante, independentemente de que tipo de cargo político ele se candidatasse.

É o primeiro levantamento deste tipo já feito no país. Foram ouvidas 2.080 pessoas em 149 municípios, entre 9 e 17 de maio deste ano. Recortes de outras deficiências devem ser pesquisados em breve. A primeira parte da pesquisa analisou a presença de cadeirantes na mídia.

Embora a aceitação seja grande, apenas 8% dos entrevistados disseram que já votaram em um cadeirante. Aqui, vale a pena destrinchar os percentuais encontrados:

90% votariam em um cadeirante para vereador

89% votariam em um cadeirante para deputado estadual ou para deputado federal

7% não votariam em um cadeirante

Como a margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os índices ficam bastante embolados. Saquem só os dados para o Executivo:

87% votariam para um cadeirante para prefeito ou para governador

86% votariam em um cadeirante para presidente

Subir a rampa do Planalto é bem difícil em uma cadeira de rodas, mas, do alto, a imagem fica bonita kkkkk

Um ponto muito interessante: quanto mais jovem o entrevistado, mais alto o percentual de aceitação, quando mais velho, maior a rejeição

Avalio os dados de duas maneiras: a deficiência não é colocada como um impeditivo para que o brasileiro eleja alguém, o que é um ganho de imagem social muito relevante, ao mesmo tempo que é possível dizer que a deficiência dá ao candidato uma certa “aceitação”, uma confiança natural ao eleitor.

Mara Gabrilli (PSDB), deputada federal pela segunda vez por São Paulo, chegou a ser uma das mais bem votadas do país e guarda ainda enorme capital político no Estado. Quadro parecido tem a deputada Rosinha (PTdoB), em Alagoas. No âmbito estadual, Célia Leão (PSDB), está em seu sétimo mandato.

Já escrevi algumas vezes aqui no blog que nenhuma deficiência física ou sensorial é atestado de idoneidade ou de competência para ninguém e que o simples fato de o sujeito andar na cadeira de rodas não o bonifica para ser um bom político, porém, é fato que seja necessário mais representação e espaço político para esse público.

Então, aliar bandeiras de inclusão, acesso para todos e respeito à diversidade com competência, bons projetos, boas ideias e carisma, pode ser um caminho promissor para cadeirantes que tenham talento, vocação e vontade de ter uma vida política.

Nas eleições de 2016, em uma sondagem informal, é possível perceber que mais vereadores com deficiência foram eleitos pelo país, mas não detectei prefeitos nessa condição. Se alguém souber ou se lembrar de algum, por favor, indique nos comentários. Lembro, por fim, que o Equador elegeu há pouco um presidente cadeirante.

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