Jairo Marques

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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São Paulo recebe um dos maiores eventos de troca de experiências entre surdos do mundo

Por Jairo Marques
Imagem geral dos participantes do Cochlear Day de 2016, no parque Burle Marx
Imagem geral dos participantes do Cochlear Day de 2016, no parque Burle Marx

Uma confusão bastante comum ainda no Brasil é a de achar que pessoas surdas não podem desenvolver a fala, são mudas. Com estímulo, fonoaudiologia e prática, milhares de pessoas com deficiência auditiva conseguem travar conversas com quase total normalidade.

Com o advento do chamado implante coclear, dispositivo tecnológico colocado na cóclea, na parte interna do ouvido, os ganhos de audição tem sido ainda mais representativos. Hoje, há surdos capazes de assistir filmes sem legendas ou janela de libras (língua de sinais), ampliando habilidades musicais e domínios de outros idiomas.

Uma grande oportunidade para se inteirar mais a respeito desse dispositivo e conhecer pessoas que estão passando pela experiência do implante acontece no sábado (11), no Parque Ibirapuera, em São Paulo: o “Cochlear Day”, que estima receber 1.500 pessoas e é um dos maiores do mundo.

No ano passado, fui ao primeiro evento e me impressionei com a repercussão que o dispositivo tem tido na vida das pessoas. Segundo os especialistas, cerca de 80% dos surdos são aptos a fazerem o implante, inclusive idosos.

Os resultados variam de pessoa para pessoa e as com a chamada “memória auditiva”, ou seja, ouviram em algum momento da vida, costumam ter adaptação e respostas mais rápidas e importantes.

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Importante frisar que a colocação do implante é uma decisão individual. São milhares também os surdos que vivem usando a linguagem dos sinais, com diversos aspectos culturais específicos e legítimos.

Mesmo o surdo sinalizado (usa libras ou outra língua de sinais) não pode ser considerado mudo, pois é capaz de emitir sons, falar algumas palavras. Os surdos que fazem linguagem labial e usam normalmente a língua portuguesa são chamados de oralizados.

No “Cochlear” será possível trocar experiência entre usuários veteranos do implante, assim como tirar dúvidas sobre a cirurgia de implantação (o SUS paga o procedimento em apenas um dos ouvidos), sobre as possibilidades da tecnologia, possíveis intercorrências e também conhecer mais sobre essa diversidade humana e sensorial.

Neste ano, o engenheiro que criou o dispositivo, o australiano Jim Patrick, vai estar no evento, assim como especialistas médicos.

A inscrição para o evento é gratuita e aberta para todos os públicos. Para fazê-la, basta clicar no link: www.cochlearday.com.br/formulario-de-inscricao/

2º Cochlear Day Brasil

Quando: 11 de fevereiro de 2017

Onde: Parque Ibirapuera, em São Paulo (SP)

Hora: Das 10h às 16h

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