Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Barcelona, cidade para todos: os transportes

Por Jairo Marques
Vista do alto de um bondinho que percorre um trecho litorâneo de Barcelona
Vista do alto de um bondinho que percorre um trecho litorâneo de Barcelona

Continuando meu relato sobre a saga na Catalunha, conto um pouco de minhas impressões a respeito dos transportes públicos na cidade.

Sério, prestei muita atenção e me aventurei a viajar em quase todos o modais que permitem a mobilidade urbana em Barcelona. “Pricurei”, como se diz lá na minha terra, muito por pontos negativos e falhas, mas, por todos os cantos, notei preocupação em atender bem pessoas com deficiência, idosos, mães com carrinhos de bebê.

Os ônibus urbanos que trafegam pelas vias mais largas e populares são todos “planta baja”, ou seja, ficam na mesma altura da calçada e podem se acessados com uma rampa simples, sem parafernália de elevadorzinho complicado de operar.

O espaço interno dos bumbas para estacionar as cadeiras é bom e para fazer trajetos dentro de bairros, com ruas mais estreitas, existem micro-ônibus com acessibilidade.

Como os transportes são inclusivos, não tem “boi”. Pessoa com deficiência que estiver “turistando” paga passagem normalmente. Para os barcelonenses existe um benefício social, mas não peguei detalhes.

Para quem quiser fazer passeio de barco, tá “sussa”. Várias embarcações têm rampas de acesso e profissionais preparados para atender cadeirantes. A indicação de acessibilidade, com o símbolo universal, é bem visível nos veículos “malacabados friendly”.

Barco com rampa e selo de acessibilidade
Barco com rampa e selo de acessibilidade

Seguramente, para quem estiver a passeio, o metrô é a melhor opção para se deslocar pela cidade catalã. As informações de estações sem acessibilidade (que são poucas) estão muito bem descritas nos vagões e nas estações.

Uma dica muuuito importante: os cadeirantes precisam embarcar e desembarcar sempre nos locais indicados nas plataformas. Isso porque há uma elevação específica em certos pontos para facilitar a entrada do povo ruim das pernas.

Nas estações do metrô, há uma elevação para que a plataforma fique no mesmo nível da cadeira de rodas. Há também piso tátil
Nas estações do metrô, há uma elevação para que a plataforma fique no mesmo nível da cadeira de rodas. Há também piso tátil

Dentro dos vagões, no espaço reservado a pessoas com deficiência, há um botão que pode e deve ser acionado quando o “serumano” for desembarcar, pois o condutor dará mais tempo para o fechamento das portas.

Nas estações maiores, há um serviço de informação que atenderá dúvidas, inclusive em língua de sinais. Os elevadores são grandes, com indicações sonoras. Há piso tátil em vários trechos. Então, aposte neste modal para ter conforto e ampla mobilidade.

elevador

Para chegar à porção mais alta da cidade (185m de altitude), a de Montjuic, há um trem específico, bem “loko”, chamado funicular, que é cheio de degraus. Cadeirante vai de boa, mas, novamente, é preciso seguir a indicação de onde acessar o veículo.

Mas um sujeito fincado no chão como eu, gosta mesmo é de “avoar”. Barcelona tem dois trechos atendidos por bondinhos: um deles na porção litorânea da cidade e outro que leva até o castelo de Montjuic.

Ambos são acessíveis, com graus diferentes de conforto. A experiência visual e de sair do chão, contudo, são completas! Fiz dois vídeos, que explicam melhor a situação. Deem uma olhada!

Por fim, destaco que o serviço de recepção à pessoa com deficiência nos aeroportos de Barcelona também são de “catigoria”. Ágeis, profissionais, atentos e seguros. O serviço não é ligado diretamente a nenhuma companhia aérea e os profissionais falam diversas línguas, inclusive a de sinais.

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