Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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“Empreste” seus olhos

Por Jairo Marques
Imagem mostra um camarada barbudo, de boné e segurando na altura dos olhos um aparelho de telefonia celular, que simula os olhosImagem mostra um camarada barbudo, de boné e segurando na altura dos olhos um aparelho de telefonia celular, que simula os olhos
Imagem mostra um camarada barbudo, de boné e segurando na altura dos olhos um aparelho de telefonia celular, que simula os olhosImagem mostra um camarada barbudo, de boné e segurando na altura dos olhos um aparelho de telefonia celular, que simula os olhos

Geralmente, tenho arrepios quando me falam de algum novo aplicativo revolucionário que promete auxiliar o povão “malacabado” na lida diária.

O grande problema dessas “vendidas revoluções” é que elas não consultaram profundamente o público-alvo e acabam tendo serventia muito limitada. É aquele velho discurso de que de boas intenções o inferno já não tem mais espaço em seus armazéns… 🙄

Mas, eis que me apresentam o “be my eyes”, algo como “seja meus olhos”, em português. Vários colegas prejudicados das vistas já me certificaram de que o danado funciona bem e tem objetivo útil.

Por enquanto, apenas para os sistemas iOs, o aplicativo teve adesão de cerca de 10 mil cegos que já receberam 28 mil ajudinhas…. uuuia.

Para que o negócio funcione a contento, é preciso que se engrosse o número de voluntário e de interessados. A iniciativa é graça e o sistema é bem simples, funcionado aparentemente muito bem.

“Tio, mas como é isso, na prática?”

Imagem um cegão numa situação de mato sem cachorro… 😯 . Ele estaria, por exemplo, em casa, sozinho, e precisa de encontrar um documento em uma caixa cheia de bagunça (levando em consideração que ele não tenha o tal documento em braile nem em versão eletrônica).

Então, aciona-se o aplicativo com um pedido de ajuda. O sistema roda em busca de um voluntário que consiga atender aquele perfil (basicamente, que fale a mesma língua). Quando se encontra a boa alma 🙂 , o cego explica o que precisa e a câmera do celular focando, por exemplo, a caixa de bagunça, é aberta.

Qualquer informação visual básica pode ser resolvida com essa relação tecnológica simples e que não irá criar um elo obrigatório. Ajuda quem estiver online e quiser.

Com mais gente aderindo ao app (baixe nas lojas virtuais), mais gente pode ser atendida e também pedir por apoio.

Qualquer pessoa com deficiência, em algum momento, pode precisar de uma ajudinha para tocar o cotidiano, não há nada de errado ou de humilhante nisso. Organizar a melhor maneira de ser útil para os outros é maneira importante de fazer com que essa “mãozinha” realmente colabore e não seja uma furada, um estorvo.

Cada vez mais, percebo uma explosão de iniciativas inclusivas supostamente “revolucionárias”, mas que não dialogam com demandas reais, com restrições de saúde, físicas ou mesmo intelectuais.

Certamente que a tecnologia é uma aliada forte para diminuir barreiras e integrar, mas que isso seja feito levando em conta os reais interessados, não os “achismos” ou interesses comerciais!

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