Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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10 dicas inclusivas para candidatos

Por Jairo Marques

Meu povo, a campanha eleitoral está mais do que na rua, o horário eleitoral na TV está para começar e é momento de botar as cadeiras de rodas, muletas, aparelhos auditivos e a parafernália toda que auxilia os ‘zimininos’ com deficiência para fazer pressão nessa gente que se candidata para ser nossos representantes… ui 😯

Em eleições passadas, toneladas de ações, discursos e atitudes bem porcas envolvendo pessoas com deficiência foram utilizadas para tentar abocanhar votos de “ceguinhos”, surdões, quebrados em geral e suas famílias.

Por essa razão e por eu ser um ‘minino bão’, fiz uma lista com dez dicas para que essa gente tenha, no mínimo, alguma noção de diversidade e que faça algo legítimo, bem elaborado e sem máscaras marqueteiras.

É mais do que necessário que temas envolvendo inclusão, acessibilidade estejam no rol de planos e propostas dos candidatos, mas os “interessados” não aguentam mais remendos, desconhecimento e falhas óbvias  no discurso dos que querem uma boquinha no poder.

1 – Não trate o eleitor com deficiência nem como um doente que precisa da sua benevolência nem como um super herói que merece seu sorriso mais falso. Trate como um cidadão de boa, mesmo!

2 – Na propaganda da TV, tenha o cuidado mínimo de oferecer legendas e tradução em libras para o seu blábláblá, caso você queira o voto de um surdo. Quando a cena for muito imagética, tipo o candidato comendo churrasquinho de gato no meio de uma muvuca, audiodescrição é importante para o entendimento dos cegos.

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3 – Tenha certeza absoluta que cada um dos cavaletes com sua fuça e seu número colocado no meio de uma calçada, impedindo o acesso a uma rampa, será um voto a menos de um cadeirante ou de um cego que irá esbarrar nesse troço.

4 – No Brasil, vigora a Lei de Cotas, que todo candidato com alguma dignidade deve saber que existe, então, bacana demais se na sua campanha você der o exemplo e empregar um ‘malacabado’ e também ter objetivos inclusivos em seu gabinete, caso seja eleito. Tanto irá ajudar a ampliar a noção de diversidade entre o grupo de funcionários como pode ajudar a evitar barbeiragens no trato com o público com deficiência

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5 – Cumprimente as pessoas com deficiência que vir ao longo da sua jornada em busca do voto, assim como faz com os outros eleitores. Tem dúvidas em como fazer para dar a mão a quem não tem??? Clica no bozo que eu ajudo.. . bozo

 

6 – Há centenas de demandas envolvendo o universo das pessoas com deficiência (sociais, de trabalho, de educação, de barreiras físicas e de atitudes, de saúde). É interessante e positivo que sua campanha tenha um bom bloco de ação (com conhecimento de causa) sobre essas necessidades.

7 – Não use em seus discursos, debates e falações em geral, as expressões: portadores de necessidades especiais, portador de deficiência ou ‘malacabado’ (esse é prerrogativa minha apanhar pelo uso 🙄 ). O termo convencionado, humano e adequado é “pessoa com deficiência”. Também não use doente mental para tratar pessoas com deficiência intelectual. Para saber mais, leia a Convenção Mundial sobre a Pessoas com Deficiência da ONU.

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8 – Tenha muito cuidado e cara de pau ao encher uma Kombi com cadeiras de rodas, andadores, aparelhos auditivos ou qualquer outra “bondade” para o povão ‘estropiado’ e sair distribuindo pelas ruas. É crime, é compra de votos e nada contribuiu de fato para a cidadania. Aja para que o sistema público de saúde ofereça esses equipamentos com qualidade e rapidez.

9 – Jamais deixe seu carrão oficial, os seus intragáveis carros de som e qualquer carro com o seu logotipo (e da sua família também) ocupar uma vaga destinada a pessoas com deficiência. É o fim do mundo, é ilegal e pega mal até o final do mundo.

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10 – Se quer o voto da diversidade, tenha cuidados básicos como ter material de campanha em braile ou em arquivos digitais para cegos, procure ter um comitê de campanha com acessibilidade (rampas, banheiros mais amplo) e defenda, de fato, os valores da diversidade e da inclusão, inclusive cobrando acesso universal nas zonas e seções eleitorais.

* Imagens do Google Imagens

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