Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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A minha imagem da Copa

Por Jairo Marques

Ainda faltam um queijo e uma rapadura para acabar o Mundial, mas já elegi a minha imagem que marcará essa competição para sempre:

Jogador da Seleção da Austrália observa garoto entrar em campo de muletas
Jogador da Seleção da Austrália observa garoto entrar em campo de muletas Crédito: Xinhua/Liu Dawei

Claro que só poderia ser a do meio-campista Mark Bresciano, da Austrália, que, na semana passada, entrou em campo ao lado do garoto Alan, que usa muletas.

Mais do que isso, o craque se abaixou, no meio do gramado, e fez a gentileza de amarrar as chuteiras do moleque.

Ahhh. Tio Jairim, mas o que tem de mais? Qualquer um faria isso, uai.”

Reprodução de imagem postada no Twitter no Atlético Mineiro, que mostra o momento em que Mark se abaixa para amarrar o cadarço da chuteira de Alan Crédito: Reproducao/@catleticomg/heraldsun/George Salpigtidis
Reprodução de imagem postada no Twitter no Atlético Mineiro, que mostra o momento em que Mark se abaixa para amarrar o cadarço da chuteira de Alan Crédito: Reproducao/@catleticomg/heraldsun/George Salpigtidis

Tem que essa imagem é honesta, não tem apetrechos, não tem mimimis. Ela mostra uma criança com deficiência de verdade fazendo aquilo o que diversas outras também fizeram: acompanhou uma seleção entrar em campo durante uma Copa do Mundo.

Essa demonstração tem o poder de valorizar as diferenças e as necessidades particulares das pessoas. Tem potencial para instigar que mais gente acredite que cada um joga da maneira que consegue, que bem entender.

Poxa, imaginem vocês se a seleção brasileira entrasse em campo acompanhada de toda a diversidade que compõe o nosso país: um pretinho, um cadeirantinho, um japinha, um indiozinho, um downzinho…. isso sim seria impactar o planeta.

A questão não é fazer uma caridade para um desgraçado, é mostrar que na nossa festa todo o mundo pode brincar, pode sonhar, pode se divertir, pode torcer.

Já se sabe que ganhará o melhor, o mais forte, o mais concentrado o mais blablabá, então, que bacana é compartilhar uma mensagem de que sonhos são possíveis sempre e para qualquer pessoa?

Quando o jogador ajudou Alan, ele deu um recado de humildade e de inclusão. Nenhuma parafernália vai substituir a dedicação e a vontade do coração e da alma humana.

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