Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Inclusão caipira

Por Jairo Marques

Meu povo, durante as festas juninas, famílias de pequenos “malacabadinhos”, muitas vezes, ficam com o coração na mão… nunca sabem se suas crias serão ou não incluídas nas quadrilhas, nas festas típicas.

Pode parecer absurdo deixar uma criança cadeirantinha, ‘mamolenguinha’ ou cega de lado porque “dá muito trabalho” para fazer uma dança inclusiva, mas posso garantir a vocês que, infelizmente, a prática é comum.

Também não vale aquela medida “café com leite”, em que botam a criança com deficiência apenas para fazer número, escondidinha num canto.

“Ah, seu Jairim, falar é fácil, mas como faz um ‘cai cai balão’ com um menino que num para em pé”?

Faz com criatividade, com a turma toda pensando junto uma coreografia, faz perguntando para ele o que pode fazer, faz construindo uma dança um pouquinho diferente da tradicional.

Por isso tudo, fiquei contente demais neste final de semana (8) quando vi os vídeos do Bruninho Gabriel, de seis anos, se acabando de achar bom no “arraiá” de seu colégio, o Padre Moye, que fica na zona norte de São Paulo.

O molequinho, que nasceu com vários perrengues que comprometeram seus movimentos e parte da visão, é um verdadeiro “pé de valsa”. Com sensibilidade da escola e apoio dos colegas, ele vai loooonge!!!

Saquem só o que diz a mãe do serelepe, a Fabiana Teixeira de Lima:

“O começo do Bruno foi muito difícil. Eu só conseguia enxergar dificuldades, mas tudo mudou quando eu fui entrando em contatos com outras mães pelas redes sociais. Vi que ele podia muito mais do que eu podia imaginar

No colégio (que é particular), ele sempre foi recebido de braços abertos pelos alunos, funcionários e direção. Vejo carinho das pessoas com ele. Não tem dificuldades de relacionamento, conversa com todos e se adaptam a ele”.

Estes meses de festas típicas, caipiras são excelentes oportunidades de experimentar, de incluir de verdade, de experimentar a prática do “todomundojunto”.

Não existe uma fórmula, um livrinho mágico que indique o caminho de fazer. Ser natural, abraçar a causa com verdade são caminhos seguros de sucesso, num é, Fabiana?

“Os ensaios da festa junina duraram uma semana e nunca houve reclamação de dificuldades ou desafios impossíveis. Aliás, a mãe da Lua (a parceira do Bruninho na dança) me disse toda feliz que, neste ano, a filha seria novamente o par do meu filho na dança”.

 

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