Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Porque eu quero… emprego

Por Jairo Marques

O Dia do Trabalho já passou, mas não poderia deixar de reafirmar aqui no blog a importância que o acesso a uma atividade remunerada, de integração e de produção tem na vida do povão “malacabado”.

Tenho a experiência de conhecer várias pessoas do time dos quebrados antes e depois de conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Tudo na realidade desses seres viventes se transforma labutando: autoestima, confiança, capacidade de planejamento, independência, qualidade de vida.

Todas as vezes que me questionam sobre a validade da “Lei de Cotas”, digo que o benefício social gerado é infinitamente maior do que o ônus que se provocaria com a exclusão de pessoas ao trabalho devido sua realidade física ou sensorial.

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Uma oportunidade de emprego reorganiza todas as possibilidades que se apresentam aos “zimininos esgualepados”: se antes o ambiente de convivência se restringia à família e aos limites da rua, depois, se conhece um mundo de novos pensamentos, novas pessoas; se antes os desafios eram totalmente controlados, depois, é preciso desenvolver jogo de cintura, exercitar mais o intelecto e as possibilidades.

Pessoas com deficiência, no trabalho, passam a encarar mais as responsabilidades e constroem mais elementos de autonomia. No trabalho, desenham-se o futuro, projetos pessoais e encaminham-se sonhos.

As chances de acesso estão cada vez mais ampliadas e é necessário ocupar com vigor essas oportunidades. Os casos de maior sucesso na inclusão no mercado são quando o povão do mundo paralelo de quem tem uma deficiência monta junto com a empresa o ambiente e as condições necessárias para que o potencial laboral seja explorado a contento.

Não cabe mais para o nosso século suportar situações em que a contratação de um cego, de um down ou de um tetraplégico seja meramente para o preenchimento de um espaço. Isso é irracional, improdutivo e desumano.

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Ao deficiente, cabe denunciar essa desqualificação e esse descaso, às empresas cabem planejar com mais eficácia e atenção essas colocações e extirpar focos de preconceito, de mentalidades que se desassossegam com as diferenças.

Para um país em progresso, relegar mão de obra porque a ignorância imagina que ela é ineficiente ou incompetente, é burrice e é retrogrado.

Só há benefício com a diversidade no trabalho. São menos pessoas dependendo de amparo social, mais gente com poder de compra, mais pessoas saudáveis e com menos necessidade de disputar espaço na saúde pública.

Variedade de gente representa variedade de ideias, de pontos de vista, de confiabilidade de um produto. Por enquanto, isso tudo ainda não está no DNA de todos os empregadores e na filosofia de todas as empresas, então, que sejamos amparados pela lei para que possamos mostrar que, sim, somos capazes de ajudar a construir esse tal país melhor.

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