Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Imagem é tudo?

Por Jairo Marques

 

Faz alguns anos, cobrei firme aqui no blog a necessidade de os anúncios publicitários incluírem pessoas com deficiência. Peças para vender sabão em pó ou campanhas de conscientização contra o bicho-de-pé, simplesmente, ignoravam as diferenças.

Posso estar meio alucinado :mrgreen:ou assistindo canais de TV de  Marte, mas, tenho notado que esse cenário está mudando de maneira veloz. Tenho visto “malacabados” em anúncios de banco, de vacinação, de lojas de departamento, de ração pra cachorro…

“Tio, mas pra mode di que cê acha isso importante?”

Em primeiro lugar, quando um anúncio engloba a diversidade ele exerce um pouquinho de cidadania (além de ser esperto, porque sabe que cego, surdo e quebrados em geral podem ter poder de consumo).

É preciso considerar também que expor a imagem de pessoas com deficiência em situações da vida cotidiana ajuda a arrebentar conceitos velhos, arraigados, que tanto as iniciativas pró-inclusão tentam combater.

É bacana mostrar que um cadeirante é cliente de banco, que um puxador de cachorro compra roupas íntimas (ui), que um paralisado cerebral anda no transporte público.

Quando mais se expõe a diversidade, mais se aprende sobre diferenças e suas necessidades, mais se ampliam possibilidades.

Em uma recente campanha do Ministério da Saúde sobre vacinação contra o HPV, a agência de publicidade acertou no alvo (deve ter sido pedido do cliente, mas vou dar esse crédito 😎 ).

“Toda menina é de um jeito, mas todas precisam de proteção”, era o mote do anúncio, que colocou todo tipo de guria e criou uma propaganda plural.

Isso está acontecendo por alguns fatores: cada vez mais pessoas com deficiência estão trabalhando e tendo dinheiro pra gastar em sanduíche iche, há mais mobilização e cobrança para o não “esquecimento” e há mais pessoas se apresentando para modelar em publicidade.

Falta muito, mais do que um queijo e uma rapadura, como se diz lá na minha terra, mas é importante comemorar conquistas para renovar as forças que vão abrir outras frentes de batalha!

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