Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Mais cachorrada na rua!

Por Jairo Marques

Meu povo, ainda faltam um queijo e uma rapadura para que o Brasil se torne um país autossuficiente na preparação de cães ajudantes para os “zimininos” cegos.

Temos ainda carência de linhagens totalmente confiáveis (o bicho não pode ter comprometimentos de saúde), faltam treinadores comprometidos e reconhecidos e também não estamos acostumados com a função de socializar o cachorro e, depois, entregá-lo de volta ao programa de preparo (pegamos amor e acabamos com a função maior de tornar o cão um guia).

Cãozinho labrador chocolate, na fase inicial para ser um guia
Cãozinho labrador chocolate, na fase inicial para ser um guia

Porém, aos poucos, algumas iniciativas persistentes estão dando resultado e passam a fazer a diferença na vida das pessoas com deficiência visual que, com o cão-guia, ganham mais autonomia, segurança e ampliam sua vida social.

Nesta semana (dia 16/04), nove “puxadores de cegos” :razz:, do programa “Cão-Guia Sesi SP” vão ganhar as ruas de São Paulo e auxiliar trabalhadores da indústria que são do time dos “prejudicados dos zóios”.

Cinco cães alinhados (três labradores pretos, um amarelo e um golden) posam para fotografia
Cinco cães alinhados (três labradores pretos, um amarelo e um golden) posam para fotografia

Fazer um cachorro buscar bolinha ou dar a patinha é bico, mas ensinar modos ao danado e, mais, botar na cachola dele a função de abrir e encontrar caminhos para os cegos (além de dezenas de outras funções) exige muito tempo, muito tempo, muita paciência.

O programa do Sesi começou com a seleção dos bichinhos logo depois do nascimento. Eles cresceram um bocadinho e foram entregues às famílias socializadoras que ficam cercam de um ano (às vezes, dois) com ele mostrando ao danado a maior diversidade possível de lugares, de pessoas e de situações.

Dois labradores pretos, simpaticões, na janela de um bumba
Dois labradores pretos, simpaticões, na janela de um bumba

Para vocês terem ideia da complexidade que é deixar um cão-guia tinindo, dos 32 cães inicialmente no programa, só nove “vingaram” e, agora, vão para as mãos dos deficientes visuais.

Não há um dado oficial sobre a quantidade de “puxadores de cegos” no Brasil. O número varia de 60 a 200, sendo que a maioria vem do exterior, onde as iniciativas já são bem maduras para o treino dos animais. O lance é que temos cerca de 150 mil (dá pra lotar uma quitinete :oops:) de cegões no país…

Labrador amarelo aprendendo a entrar no ônibus
Labrador amarelo aprendendo a entrar no ônibus

Todo o procedimento de preparo de um cachorro ajudante pode custar até R$ 30 mil. Não há nenhum custo para quem recebe o cão-guia (em programas sérios, evidentemente).

Sou amigo de várias pessoas que têm a “sorte” de contar com a ajuda de cães-guias em seus cotidianos e tenho convicção do impacto que esse “instrumento” de acessibilidade é capaz de causar na vida delas.

Dois cães jovens brincando em um gramado
Dois cães jovens brincando em um gramado

É preciso pressionar e muito o poder público para que as iniciativas de preparo desses ajudantes de quatro patas se avolumem, ganhem todo o país, sejam sérias e efetivas.

* Fotos de divulgação

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