Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Aplicativo promete revolucionar inclusão na cultura

Por Jairo Marques

Imagine você cegão ou você surdão ter ao alcance das mãos a chave para ver espetáculos culturais sem ter de ficar espichando o olho até aquela mocinha na frente do palco fazendo a tradução para libras ou sem receber aqueles fones de locutor de corrida de cavalo para receber a descrição das cenas (audiodescrição).

Poi zé, meu povo, o futuro já chegou e você ainda está ai vestindo a camisa por dentro da calça… 😆 . Um aplicativo totalmente “ispiciar”, como diria minha tia Bolsinha, está sendo lançado hoje no Brasil e promete virar o conceito de acessibilidade na cultura de ponta cabeça!

O “Whatscine” é um programa para ser baixado em telefones celulares ou tablets e que vai fazer a audiodescrição, a tradução para a Libras (Língua Brasileira de Sinais) e a subtitulação das falas (as legendas, mecanismo importante para surdos chamados ‘oralizados’ e que não fazem uso dos gestos) de grátis e de maneira simples.

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“Mas tio, como vai funcionar essa modernidade toda?”

Primeiramente, o brasileiro baixa o programa em seu smartphone na faixa (nas lojas dos seus respectivos sistemas operacionais), depois, conecta-se à rede sem fio específica do programa (o local da exibição deve ter feito a parceria de acessibilidade), depois as legendas e a tradução em Libras vão aparecer na tela do ‘celu’. Para a audiodescrição, é preciso ter o seu fone de ouvido.

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“Causo de quê cê acha isso revolucionário?”

Atualmente, para ter todos esses recursos é uma apresentação de dança, por exemplo, é preciso uma logística grande. Colocar essas ferramentas à mão do “malacabado”, na boa, facilita pra dedéu.

O poder de ter a ferramenta que inclui sai do ambiente e passa diretamente para a pessoa com deficiência, de forma prática! Claro que vai haver quem ache que levar celular ao cinema ou teatro é “over”, mas, ninguém vai usar o aparelho para atrapalhar o outro, vai usar com discrição e cada um no seu quadrado.

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Num futuro próximo, óculos poderão substituir os celulares e aí tá tudo resolvido. Por enquanto, vamos festejar esse ganho!

O Whatscine é um projeto global que estreou ano passado na Espanha, já chegou ao México e hoje nasce no Brasil, durante a exibição do filme “Hoje eu quero voltar sozinho”, no cine Frei Caneca, em São Paulo, em todas as sessões!

A iniciativa é tocada pela ONG “Mais Diferenças” e promete fazer barulho. Quando mais produtores de filmes, espetáculos teatrais e eventos culturais entenderam a importância do “lance”, mais pessoas terão acesso ao conteúdo cultural, que é direito de todos.

Passo importante agora é que as redes de cinema, os teatros e as salas de exibição artísticas entendam o benefício do sistema, que acolhe milhares de pessoas, e passem a aderir a ele.

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