Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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O bloco dos ‘malacabados’

Por Jairo Marques

Meu povo, o Carnaval está aí e, neste ano, os blocos de rua vão ditar o ritmo da festança pelo Brasil afora!

E, não vai ter jeito, uma hora ou outra você vai trombar com um folião, digamos, meio atrapalhado dos esqueletos, dos sentidos ou da cachola!

Os ‘malacabados’ estão na rua e é certo que vão aproveitar o maior fuzuê do planeta compondo os blocos! Aêêêêê

O tio bolou umas dicas para que evitar trombadas com cadeirantes e cegões no momento do “alalaô”! Para que o rasgar da fantasia seja, como deve ser, plural, ‘bacanuda’ e alegre!

Este post vale tanto para os foliões “completos” como para os faltando o pára-choque! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Quem se lembrar de alguma dica que faltou aqui, por favor, acrescente nos coments!

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1. É “de boa” pular a “cabeleira do Zezé” com um cadeirante, mas antes de sair bem doidão empurrando o brasileiro, pergunte a ele se ele topa ser conduzindo. Procure não fazer movimentos muito bruscos para não ter de catar o ‘serumano’ no chão! O mesmo vale para os prejudicados das vistas, não vá puxando o caboclo de qualquer maneira para o deserto do Saara, vai com jeitinho… 😉

2. Cegos, pessoas com movimentos mais lentos, pessoas meio atrapalhadas das coordenações devem evitar ficar no meio da muvuca. Mesmo nas paz, os foliões perdem um bocadinho o senso de espaço e podem te macetar sem querer. Procure ficar nas bordas do bloco, bem lá na frente, ou na rabeira

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3. Pessoas com deficiência não são café-com-leite da folia. Pode jogar confete, serpentina, espuma e dar beijo na boca (no caso dos livres, leves e soltos, ‘evidentementchi’)

 4.  “Se você pensa que cachaça é água”, tudo bem, mas não é preciso ficar oferecendo sua pinga a todo o momento para os ‘malacabados’. Já pulei Carnaval que só faltaram me dar um barril pra eu beber sozinho de tanta solidariedade… 🙂

 5. Abra alas, meu amigo! Cadeirantes, sobretudo, precisam de um espacinho a mais para conseguir ver o que está rolando à frente do bloco ou mesmo para fazer suas piruetas. Não é pra se afastaaaar, mas também não precisa grudaaaar

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6. Vários blocos têm baterias, carros de som, trios. Então, surdos conseguem curtir as vibrações ficando por perto desses recursos. E não ligue para o ritmo. Carnaval não tem uma lógica de dança certinha, Carnaval é para curtir!

 7. Não tenha receio de ver um camarada diferentão no meio do bloco, meio babando, meio torto, meio capenga ou com um olhar meio atravessado. O chato da festa é ser igual, então, aproveite para celebrar a diversidade humana, Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu!

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8. Durante o desfile, como qualquer mortal, deficientes querem fazer o seu xixi no meio do trajeto. Infelizmente, banheiro químico acessível ainda é raro. Uma dica para não matar ninguém que fez sua cueca de pano de prato é levar um saquinho coletor e buscar um canto para se aliviar. Descarte em lugar adequado.

 9. Não isole, nem se isole. Carnaval é a festa do todomundojunto. Então, permita-se, brinque, paquere. Deixe a chupeta em casa e aproveita a folia

 10. Antes de encarar o samba, conheça direitinho o caminho por onde o bloco irá passar. Isso ajuda a saber antecipadamente se haverá ladeirões, ruas de pedra ou de areia. Aos coordenadores do bloco, é bom saber se tem ‘malacabado’ no grupo, assim, é possível organizar o galerê a dar uma ajudinha, caso seja necessário, em alguns trechos!

*Imagens do Google Imagens

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