Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Ei, você aí

Por Jairo Marques

“Zente”, recebi uma mensagem desesperada de uma leitora, que é síndica de um prédio, pedindo uma orientação sobre um “causo” que estava vivendo.

Um morador do prédio que ela administra, antigão, aqui no centro de Sampa, iria receber um hóspede cadeirante e estava “exigindo” que fosse feita uma rampa de acesso no hall do prédio, que contava com alguns degraus.

A leitora foi ameaçada, esculhambada e, com razão, ficou em pânico com o problema posto e com a necessidade de buscar uma saída com urgência.

Arquitetos e entendidos podem falar com mais propriedade que eu, logicamente, mas achar uma solução de acessibilidade em curto prazo não costuma ter final feliz.

“Uai, tio, como assim cê fala? Num é só meter um concretão lá dar uma alisada?”

Rampas, para serem úteis de verdade, precisam ter um grau de inclinação estudado para dar conforto e segurança na subida e na descida.

rampinha

Além disso, será que apenas fazer lá um “bem bolado” pro “malacabado” conseguir vencer os obstáculos resolve?

Penso que se uma ação de acessibilidade irá ser tomada em um prédio, onde a diversidade de pessoas que irá usá-la é grande, é bacana pensar: é preciso que o piso da rampa seja antiderrapante? É necessário colocar um corrimão para dar sustentação aos idosos, por exemplo?

A minha orientação à leitora foi nesse sentido: falar que a rampa seria feita, mas da melhor forma possível e não em uma situação de correria.

Há também uma questão prática envolvida. Infelizmente, mesmo em grandes cidades, não se encontra tão facilmente soluções de acesso. São pouquíssimas as empresas que dão conta disso.

 “Tô achando que você deu mole e jogando contra a dominação do mundo…”

Não, eu pensei apenas em ter uma solução que valesse a pena e não um puxadinho, que tanto os “quebrados” se deparam por aí. Soluções improvisadas, volto a dizer, podem ser problema dobrado.

Na semana passada, um caso acontecido na Inglaterra chamou muito a atenção nas internets.

Um mulher de West Dunbartonshire, que tem uma filha com deficiência, recebeu do governo uma casa cheia de degraus, o que era, evidentemente, o ó do borogodó.

Ela reclamou e o conselho que cuida da infraestrutura das casas do lugar, finalmente, fez uma rampa… Batam o olho na meleca, na lambança e no absurdo…

rampa bem 'loka' feita para vencer os degraus da casa. Ela é construída em dez níveis e virou uma ode ao gosto duvidoso Imagem do site do jornal britânico "The Guardian"
Rampa bem ‘loka’ feita para vencer os degraus da casa. Ela é construída em dez níveis e virou uma ode ao gosto duvidoso
Imagem do site do jornal britânico “The Guardian”

Para o “bem da nação”, a leitora que me pediu apoio conseguiu locar uma empresa que faz rampas metálicas e, em tempo hábil, conseguiu implantar o equipamento, que vai acabar servindo a muitas pessoas.

Excelente, todo mundo feliz. Mas o ideal é que esse tipo de reforma, de iniciativa, seja bem discutido, antecipadamente pensado e que sirva para a maior quantidade de pessoas possível.

Aproveitando o tema, lembro que o “guverno” lançou, na semana passada, uma linha de crédito específico para que pessoas com deficiência promovam acessibilidade em suas “gomas”.

dinheiro

Particularmente, penso que essa iniciativa de créditos é uma das poucas que, realmente, tem surtindo algum efeito na história da dona Dilma ter elencado o povo “malacabado” como sua prioridade…

O valor deste crédito, que também pode ser utilizado para a compra de equipamentos de assistência, é de até R$ 30 mil e os juros são beeeeem camaradas. O prazo de pagamento é de até cinco anos. Um mãe, né?!  Para mais detalhes, clique no bozo!  bozo

* Imagens do Google Imagens e recorte da página do site do “The Guardian”

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