Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Por um Mandela mal-acabado

Por Jairo Marques

Às vezes, eu penso que a “salvação” das pessoas com deficiência vai se dar com um “Mandela malacabado”, alguém que ainda irá surgir e que vai ajudar o povão quebrado a se libertar de tantos estigmas e de tantos não-me-toques.

Alguém capaz de unir mais as demandas e anseios, alguém respeitado por sua integridade e por suas ideias. Uma liderança capaz de fazer a diversidade entender que os gritos individuais jamais serão tão ouvidos como um coro.

Neste ano, apesar de inúmeros avanços gerais para o debate do tema “pessoa com deficiência”, noto que houve um distanciamento de grupos afins, cada um tentando puxar a corda para suas próprias necessidades, o que não é pecado, deixo claro.

Acontece que quando se esmigalha demais uma causa, sua essência vai se perdendo e vão ganhando terreno o oportunismo, o egoísmo e as meias verdades. Democratizar diálogos é ‘maraviwonderful’, mas saber unificar a voz significa mais chance de vitórias.

“Tio, mas do que você tá falando, heim? Tô achando tudo meio viajandão”

Falo de avanços sociais fundamentais para serem alcançados. Afinal, até hoje por aqui se discute validade de leis como a lei de cotas, a escola inclusiva, o direito à prioridade em vez de aumentar a pressão por cumprimento dessas conquistas.

Com uma certa confusão sobre que rumo tomar, quem manda fica de braços cruzados apenas assistindo o circo pegar fogo. O “Mandela malacabado” iria guiar os holofotes para o fundamental: a mudança na forma de ver, interagir e compreender as diferenças.

LIBERD~1

Ainda estamos no nível de ficar gritando: “Eeeeei, eu sou geeeente!!!! Eeeeei, eu posso ter independência, posso ter cidadania se condições de igualdade forem asseguradas!”

O “Mandela Malacabado” teria potencial de, ‘difinitivamente’ levar os quebrados a mudarem a página para avançar, para botar o gato da discussão sobre preconceito no centro da sala.

Tempos atrás, brincava com o Billy Saga, líder de um dos movimentos autônomos mais importantes em defesa dos sem braço, sem perna, puxadores de cachorros, tchubes e tudo mais, que nossa única saída para a inclusão plena seria uma guerra: passaríamos com nossas cadeiras de rodas sobre os pés daqueles que impedem fortemente o “tudujunto”!

Penso que apenas “Mandela Malacabado” nos inspiraria a empunhar muletas, cães-guias, andadores, bengalas, cadeiras de rodas, aparelhos auditivos e as infinidades de “incompletudes” da “raça capenga” em busca do que realmente importa: seremos vistos com menos hipocrisia e com mais aceitação, de fato.

Deixo essa provocação como presente de Natal a meus adoráveis e incansáveis leitores. Desejo que suas festas sejam as melhores!!!

Até o ano que vem e beijo nas crianças 😉

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