Jairo Marques

Assim como você

 -

Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade

O rei ‘remix’

Por Folha

Meninos com mães apaixonadas pelo rei Roberto Carlos, como eu, aguardam ansiosos o lançamento do trabalho de final de ano do cantor, presente certeiro de Natal, que vai render um sorrisão gostoso e olhos marejados. Mas, neste ano, tudo vai ser diferente. Inventaram um intragável “rei remix”.

Sim, é Roberto Carlos dando soquinhos na voz: “Quando eu estou aqui, aqui, aqui, aqui. Eu vivo esse momento lindo, lindo, lindo”. É Roberto Carlos tocando em boate tendo as curvas da estrada de Santos iluminadas por feixes de luz verdes, azuis e laranjas. É Roberto Carlos, o “cara”, caramelizado com passos combinados na pista de dança.

Imagino minha “santa” desesperada ao telefone dizendo que os Correios trocaram a caixa do meu regalo para ela e que, em sua a vitrola, em vez de tocar “não adianta nem tentar me esquecer”, saiu um som insuportável que, resumidamente, só dizia “titum, titum titum”.

Até agora, os plebeus aceitaram tudo vindo do reino: “Cavalgada” meio sertanejada, “A Montanha” em ritmo de pagode, “Cama e Mesa” em versão black music, “Um
milhão de Amigos” meio axé, mas me recuso a curtir “Fera Ferida”
remixada. Não dá!

Tudo bem que não foi um ano dos mais fáceis para o rei, que ora era contrário que escrevessem sua riquíssima biografia sem autorização, a reboque do grupo “Procure Saber”, ora dizia, de maneira bem confusa, que estava tudo liberado. Mas mexer com o final de ano da mãe da gente não tem justificativa.

Discos do Roberto são para ser ouvidos pensando no grande amor e imaginando com ele aquelas cenas do tipo “se amar na relva escutando o canto dos pássaros”. É para desafogar a fé de um ano tão difícil ouvindo “Nossa senhora, me dê a mão, cuida do meu coração”.

Não sou contrário à repaginada do rei, à modernização de seus ritmos e de seus sucessos, mas também não acho justo transformar em balada eletrônica aquilo que mamãe tem como “Sonho Lindo”, desde a Jovem Guarda.

Será que vão ter a “cachorra”, como diria uma tia minha que já morreu, de botarem o Roberto para sacolejar “É Proibido Fumar”, à moda discoteca, com requinte de gelo seco pairando no ar e pessoas rodopiando de cabeça para baixo no especial natalino da TV?

Preciso me precaver e reforçar o estoque de erva-cidreira lá de casa. O aborrecimento de saber que não haverá Fafá de Belém, mas, sim, uma tal de Anitta, já foi tremendo para minha velha.

Todo cuidado é pouco em casos de corações apaixonados pelo rei.


Em alguns Estados do país, ainda dá tempo de adotar uma carta escrita por crianças carentes ou por seus familiares, enviada a Papai Noel e acolhida pelos Correios.

Como diz a campanha da instituição realizada neste ano, é possível tirar sonhos do papel atendendo uma das mensagens que pedem de tudo: roupas, tablets, bonecas, bicicletas e comida. Ajude da forma que puder!

Não caio naquele papinho tosco dos chatos que afirmam não adiantar nada fazer uma boa ação apenas no final do ano. Sou do time dos que defendem que sempre é hora e bom fazer algo que colabore com a felicidade e o bem-estar alheio.

Blogs da Folha

Versão impressa

Publicidade
Publicidade
Publicidade