Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Ela mudou o conceito de ‘silêncio’

Por Jairo Marques

Cada vez mais, está se fortalecendo no Brasil um grupo de pessoas com deficiência com conceitos novos e realidade nova diante de tantos perrengues, abusos e descasos que enfrentam no dia a dia.

Até pouquíssimo tempo atrás, o povão quebrado, o povão avariado dos sentidos e os ‘tchubes’ estavam à mercê do assistencialismo e de migalhas jogadas pelo poder público para que as ruas não ficassem tomadas de “invadidos”.

A imagem dos deficientes físicos e sensoriais, aos poucos, deixa de se atrelar ao coitadismo, à impossibilidade de fazer tudo e qualquer coisa e de gente guardada dentro de casa com medo do mundo.

Nesse grupo recente de pessoas, os valores pelas condições de igualdade de oportunidade e condições equânimes para encarar o trabalho e a vida social são os fatores mais fortes de defesa.

Esse grupo tira do debate os “não-me-toques” chaaaaatos, os preceitos equivocados amparados em preconceito e desconhecimento sobre ser cadeirante, ser surdo, ser down, ser cego e ser malacabado de maneira geral.

Boto na mão da publicitária Lak Lobato, habitué, amiga, e um dos pilares do trabalho realizado neste diário, uma das frentes de representação dessa imagem 2.0, dessa imagem moderna as pessoas com deficiência.

Lak, em um momento glamurosa. Ao fundo, um transatlantico e uma bela praia
Lak, em um momento glamurosa. Ao fundo, um transatlantico e uma bela praia / Credito/Arquivo pessoal-Divulgação

Com seu blog “Desculpe, não ouvi!”, a danada revolucionou a forma de abordar a surdez no país, trouxe à luz o debate sobre surdos oralizados (que não fazem o uso de Libras para se comunicar, apenas o português e a linguagem labial) e criou uma comunidade de debate do universo surdo bastante forte e importante.

Agora, parte fundamental da história dessa moça, que viveu 23 anos mergulhada na ausência de sons, virou uma obra imperdível que precisa de estar na prateleira de todos aqueles que se interessam por gente neste país.

Lak, há poucos anos, teve acionado dentro de si um caminho que de forma quase mágica (e muito tecnológica) a levou de volta às sensações sonoras. A cada trecho que percorria, poesias repletas de emoção eram partilhadas com seus leitores.

Imagem “ceitudo”, então, a qualidade literária de ler a coleção desses momentos antes e depois de uma deficiência auditiva reunidas em um livro só!!!!

Capa do livro "Desculpe, não ouvi!", imagem exclusiva e inédita para o blog
Capa do livro “Desculpe, não ouvi!”, imagem exclusiva e inédita para o blog. A bolha de silêncio é rompida por centenas de cifras sonoras Crédito: Eduardo Suarez/Divulgação

O “Desculpe, não ouvi!, o livro, é para enriquecer ideias em torno das possibilidade de adaptação do “serumano”. É para construir novos conceitos em torno do que se projeta sobre a pessoa com deficiência. É para inaugurar nos incrédulos a fé de que a “normalidade” é um conceito em franco desuso.

A partir da trajetória e dos rabiscos de Lak, centenas de outras pessoas, centenas de crianças surdas ganharam e ganham motivação para construírem suas vidas com a segurança de é possível casar, amar, trabalhar, aprender francês e falar pelos cotovelos mesmo…. vivendo internamente em um império de silêncios.

Diante de tudo isso, o que falta agora é o mais fácil: uma forcinha para que o projeto do livro saia do universo virtual e caia na mão das pessoas que irão multiplicar seus conceitos, repercutir suas crônicas e inspirarem-se para quebrar suas próprias limitações.

É só clicar na orelhinha que levo vocês lá onde será possível ajudar a colocar mais um tijolinho para essa obra fundamental ganhe ainda mais vida!!!  orelhinha

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