Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Qual o seu fator xis?

Por Jairo Marques

Ontem, vi mais um dessas doideiras que o Fernando Fernandes, o esportista ‘malacabado’ mais despirocado do país, se dispõe a realizar: o cabra pegou uma pororoca uuuia 😆 em um caiaque adaptado em plena Amazônia.

Sério, deu aflição de ver o caboclo se enfiando na lama, expondo os cambitos e fazendo um esforço físico absurdo para dar conta do desafio a que se propôs.

Em dado momento, em meio a várias adversidades, no meio do nada, em um barco todo  cheio de desafios para um cadeirante o Fernando soltou a seguinte:

“Tá na selva, tá no mato, sem acessibilidade… Acho que antes da adaptação vem a palavra improvisação. A improvisação é o emocional. O adaptado é o racional. Quando você se propõe a estar no meio do mato, em uma realidade diferente, você não vai encontrar nada acessível.”

Todas as pessoas com deficiência que são bem sucedidas, boto reparo, possuem um ou alguns elementos de caráter, de conhecimento, de habilidade acima da média.

“Ahhh, véio, lá vem você falar que os quebrados são todos cabeções…”

Não são, mas ter um diferencial, fazer um esforcinho para se destacar em alguma área, ajuda um bocado a vencer obstáculos que são tão árduos para quem tem alguma deficiência: de trabalho, de aceitação, de relacionamento, de integração.

Claaaaro, meu povo, que cada personalidade é única, que o fato de ser quebrado não quer dizer que a natureza vai dar uma forcinha e retribuir com um “supertalento”… nada disso…

O que quero dizer é que buscar o “fator xis”, buscar algo positivo em si e tentar evoluir esse aspecto –que pode ser na arte, na música, no conhecimento específico, no esporte ou seja lá o que for— poderá ser um instrumento de abre alas muito importante.

O papo reto é que, por mais que nos esforcemos no discurso da igualdade entre todos, mesmo em suas diferenças, é importante que os “malacabados” tenham seus instrumentos, suas ferramentas para cavar respeito, igualdade e espaço.

Tudo isso pode parecer meio óbvio e, o que vejo, de fato, são os quebrados já cientes de que é preciso muito preparo para ser aceito no mundão. Mas também existem aqueles que acham que vão ser vistos colocando suas imperfeições físicas ou sensoriais à frente de qualquer coisa.

Então, o negócio é estar sempre firmando o pensamento em evoluir, em aprender, em ser melhor. E qualquer, qualquer tipo de deficiência deixa a possibilidade de algum rumo a seguir nesse sentido.

Os que me acompanham nas redes sociais, já viram o vídeo abaixo, que reflete todo esse blábláblá que escrevi, em ação…

Está em inglês, mas a mensagem se resolve por si só. Para os leitores cegões, digo que trata-se da garota Rion Paige, de 13 anos, que nasceu com uma má formação nos braços e também é cega de um dos olhos.

Rion participa de um programa de disputa musical chamado XFactor, que começa nesta semana no Brasil, em um canal fechado…

A menina tem um cabelão esvoaçante e é toda espevitada. Ninguém bota muita fé de que a “malacabadinha” irá render no palco, bem, aí….

Um dos pontos que mais me emociona é quando a mãe da garota, minutos antes de ela começar a cantar, diz: “Pra mim, é ter uma grande oportunidade de dizer a ela: É a sua hora de voar, meu bem. Caso não seja, estarei aqui para pegá-la”.

Para quem quiser ver o vídeo do Fernando Fernandes, é só clicar no bozo! 

[youtube 11oMu365xYU nolink]

 

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