Jairo Marques

Assim como você

 -

Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Invista em você

Por Jairo Marques

Qualquer pessoa “malacabada”, independentemente do grau em que seja quebrada, precisa criar em si a consciência de que é fundamental construir pontes que o levem a conquistas, realizações.

Sim, todo mundo tem de planejar um caminho para o futuro. Normalmente, é o conhecimento que vai ajudar nesse processo de realizações.

Hoje, com o mundo interligado, com as conexões em rede, é tudo muito mais tranquilo do “no meu tempo”…. 8)

Para estudar inglês, por exemplo, eu tinha de dar uma boa camelada pela cidade tocando minha cadeira. Chegava na escola mais suado que garrafa de cerveja em mesa de boteco durante o verão … 😆

Fico muito empolgado quando vejo mais e mais pessoas com deficiência não abrindo mão de seus desejos de formação, de sonhos e não se intimidando com tudo que representa “dificuldade”.

Tenho recebido, ultimamente, vários relatos de cadeirantes, cegos, surdos e demais estropiados que estão encarando o mundo para aprender novas línguas, para estudar ou mesmo em viagens culturais.

Fazer isso sobre rodas, com bengala, com cão guia ou com qualquer outro aparelho de compensação do físico ou do sentido não é bolinho, exige coragem, planejamento e disposição para passar perrengues que vão acontecer, com certeza.

Mas investir em si é um caminho seguro para abrir novas fronteiras de possibilidades e, no caso de pessoas com deficiência, de engrossar a batalha por igualdade.

Hoje, trago um relato muito bacanudo de uma garota cadeirante que resolveu fazer um intercâmbio nos EUA. A Michele Simões conta um bocadinho de como tomou essa atitude, como está virando por lá e tudibão!

Boa leitura!

A ideia veio desde cedo, e apesar de muito nova, sempre sonhei em morar no exterior. Comecei devagar e o primeiro destino foi definido pela faculdade de Design de Moda, em Londrina (PR), onde estudei por quatro maravilhosos anos.

Em 2006 após me formar, o próximo passo era trabalhar em São Paulo, onde poderia juntar dinheiro e ganhar um pouco de experiência na área para então alçar novos voos.

A vida resolveu me mostrar novos ângulos antes de mudar de ares, e após um acidente de carro, acabei ficando paraplégica.

O mais difícil de tudo foi voltar a depender das pessoas, logo eu que amava a liberdade que minhas pernas me davam.  Por um bom tempo, acreditei que minha felicidade só voltaria quando eu pudesse ficar em pé novamente.

Minha teimosia e otimismo nunca deixaram o desanimo chegar e o sonho que ficava ali num cantinho todos os dias me chamava de várias formas; assistindo programas sobre viagens (adoooro :D), vendo fotos de amigos ou ouvindo histórias que eu sonhava em viver também.

Após quase quatro anos brigando com um grave problema de pressão, eu finalmente consegui voltar a sentar e começar a tocar minha cadeira.

Era o que eu precisava. Minha sede de independência crescia a ponto de despertar meu interesse por tudo, me arrisquei na cozinha,  aprendi a nadar e  velejar, descobri que minha cadeira me levaria onde eu quisesse (quase vai…rs), enfim, descobri que eu não precisa esperar para ser feliz e que mesmo cadeirante eu tinha sonhos a serem realizados.

Primeiro passo foi a escolha de uma agência que abraçasse essa ideia e principalmente entendesse minhas necessidades.

Após planejar tudo, dia 3 de agosto parti para Boston (EUA) onde estudarei inglês por dois meses.

Apesar de estar acompanhada do meu maior parceiro, meu namorado há sete anos (sim, começamos a namorar no hospital), combinamos que eu teria essa experiência como se estivesse sozinha, ou seja, classes separadas, alguns programas separados, inclusive no embarque e na conexão, ou seja, estou bem tensa, mas amando cada desafio.

Meu maior receio são as ruas. Como será andar sozinha em uma rua outra vez?  E se eu cair, quem vai me ajudar? E se errar o percurso, não tenho fluência na língua, como farei? E no aeroporto, quem vai me ajudar? São mil perguntas que faço para mim todos os dias.

A vida é correr riscos, e sou movida a desafios, por isso resolvi ser feliz; se cair, eu  levanto, se me perder,  vou me achar e, na real, ninguém nunca estará 100% seguro, andando ou não.

Levo a coragem e a vontade de viver na bagagem e por pensar que não sou a única cadeirante insegura no mundo, resolvi compartilhar esses medos e descobertas em um blog que escreverei durante a viagem, e convido a todos a me acompanhar nessa descoberta!

E aí, vem comigo?

Para conhecer mais sobre a aventura da Michele, é só clicar no bozo

 

Blogs da Folha