Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Com bastante emoção

Por Jairo Marques

Aquele ditado que prega: “Para baixo todo santo ajuda” não resolve muito no momento em que um “malacabado” como eu precisa descer escadarias quaisquer no “muque” de ajudantes amigos.

A discussão é antiiiga, mas o problema segue atual. Falta de acessibilidade significa risco para a vida das pessoas com deficiência, de “véios”, de crianças, de prejudicados do passo.

O vídeo abaixo também não reserva uma grande surpresa “proceis” tudo, mas é um retrato exato de como as coisas acontecem no Brasil.

Fui fazer uma viagenzinha lá pros lados da minha terra e o aeroporto de Campo Grande, onde pousei com minha deusa, não dispunha daquela plataforma de desembarque.

Resultado? Toca dois “homão” agarrar no tio para tirá-lo de dentro do urubuzão voador.

A palavra que resume a minha situação diante do fato é “pânico”. Apesar da imensa boa vontade dos ajudantes, eles não foram preparados para carregar um botijão de gás e uma pessoa juntas (o botijão é o que guardo na pança 😉 ).

Essas pessoas fazem essa “boa ação” por determinação das empresas, para resolver o problema que se impõe. Elas não sabem que meu equilíbrio é precário e que, no menor vacilo, ganho a gravidade de uma jaca caindo no chão.

Botem reparo que vou me agarrando na lateral da escada na tentativa inglória de dar mais “firmeza” à descida, que parece nunca mais ter fim. Não é legal, não é gostoso, não é emocionante. É pânico mesmo.

Há situações em que a única maneira de vencer um obstáculo é com auxílio, isso é do jogo, mas pensem vocês a quantidade de pessoas expostas a risco, todos os dias, num lugar assim, com movimento intenso, como é um aeroporto.

Não vou parar de viajar, talvez no futuro eu tenha de usar fraldas para evitar efeitos colaterais dessas descidas emocionantes 🙂 , mas espero com firmeza que essas situações fiquem apenas registradas nos sites de vídeo como algo do tipo: “olha que surreal que os cadeirantes viviam no século 21 no Brasil?”…

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