Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Regulamentos, normas, regras e ‘quetais’…

Por Jairo Marques

Meu povo, nos últimos dias, uma série de medidas em prol do respeito ao direito de ir e vir de todos foram divulgadas pelo “guverno”.

A maior parte dessas iniciativas partiu das “agências reguladoras”, que, em síntese, servem para fiscalizar quem presta serviço público como empresas de telefonia, de transportes, de aviação, fornecimento de águas e tudo mais.

Diante disso, veio a decisão de cobrar que os ônibus intermunicipais tenham rampas ou elevadores de acesso, atendimento diferenciado (para ‘malacabados’ sensoriais ou físicos), poltronas reservadas etc.

Na aviação, vai ter que ter “ambulifit” (aquele troço que joga o cadeirante ou a pessoa meio descompensada dos movimentos para dentro dos aviões), o fim da reserva das primeiras poltronas (ideia de jerico total), atendimento tendo em visto às necessidades das pessoas.

Pois bem, agora me segure ou me levanto e saio mais brabo do que cachorro de japonês. Do que adianta esses órgãos criarem MAIS regras?

Pelamor, “zente”, o que precisamos é que as coisas aconteçam, que as leis sejam cumpridas e não que um “aspone” de gabinete fique em uma sala inventando moda.

Qual a moral do governo em cobrar do setor privado se: ainda existirem prédios públicos sem acessibilidade para todos, os concursos públicos não selecionarem de fato pessoas com deficiência, não haver lei de cotas para cargos comissionados, haver carga tributária igual para quem tem demandas diferentes em sociedade (sobretudo médicas)?

Pra mim, é irritante a forma como as coisas vão sendo encaminhadas no nosso país. Não há planejamento e estudos técnicos suficientes para que as medidas a serem tomadas sejam realmente úteis, apenas mandam “fazer lá”.

Torço para que, de verdade, as empresas de ônibus e as aéreas passem a cumprir as medidas que são inclusivas e que são mundialmente aplicadas (não da forma como são aqui, com o governo tirando o corpo fora e passando a batata, no caso, os “estropiados”, no colo dos outros), mas quando o trem começa errado…

É bonito de se ler e causa uma repercussão imediata dizer que a “Anarc” mandou ver em regras pra atender os ‘zimininos’ sem perna, sem braço, que puxam cachorro, que tem o escutador de novela avariado, mas, torço para estar errado, o resultado prático deve ser pífio.

O governo central do país tinha de dar o amplo exemplo a ser seguido, o que ainda não acontece em seus diversos setores. Tem que cobrar, exigir respeito às leis, à Constituição e inspirar boas práticas.

“Difinitivamente”, usar as demandas das pessoas com deficiência como plataforma política sem que elas sejam cumpridas de fato é pior do que a estagnação, pois ilude, engana e emplaca ares de bom mocismo… #prontofalei

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