Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Ainda não acabou…

Por Jairo Marques

Pelas principais ruas (straBe) de Berlim, eu me deparava com um outdoor emocionante. Nele havia uma imagem exposta, que divido com vocês mais para baixo, simboliza um espírito que, infelizmente, aqui no Brasil ainda estamos looooonge de conquistar.

A capital alemã tem um clima de inclusão muito forte. Como a cidade é plana, ‘zambetar’ por todos os cantos é relativamente fácil e, evidentemente, há condições urbanas suficientes.

Há rampas, sinais sonoros, informações em braile, pisos táteis, elevadores em todos os cantos (menos para acessar o primeiro andar da famosa torre de TV da Alexanderplatz) e o transporte público oferece acesso (alguns trens do metrô, contudo, têm degraus altos e é preciso pedir ajuda).

Mas, foi mesmo o tal outdoor (que era beeeeem grande) que me convenceu que o país tenta embutir nas pessoas uma visão que ainda engatinhamos aqui no Brasil: que as pessoas podem ter as suas diferenças, mas que buscam viver de forma semelhante, atrás de sonhos, conquistas, amores, felicidade, realizações e… Ouro!

Imagem de uma atleta cadeirante ao lado de uma andante, ambas praticantes de tiro com arco. Ao fundo, diversos alvos.

A tradução da frase que consta nessa foto que achei linda, repito, espalhada em várias partes da cidade, é mais ou menos assim: “Dois atletas e um mesmo alvo”. Traz dois atletas que foram classificados para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Londres no tiro com arco.

Sensacional, não é mesmo? Na hora do incentivo para o sucesso, para a representação do país, não esqueceram que temos duas grandes competições: uma que terminou ontem (12) e outra que começa daqui a pouquinho, no dia 29.

A Alemanha ficou em 6º lugar nos jogos dos “normais” torço para que tenha sucesso também nos jogos dos “malacabados”.

Para o Brasil, fica a lição dos germânicos que fazem questão de colocar seus atletas no mesmo patamar. O sonho de medalhar, de ver nosso país no ponto mais alto das conquistas ainda não acabou, pois temos uma das melhores seleções de atletas paralímpicos do planeta.

Neste ano, para a minha alegria, e como não dizer, dos meus leitores, vou acompanhar nossos representantes do “mundo paralelo’ bem de pertinho.

Embarco para Londres nos próximos dias e vou fazer o máximo para informá-los do que rolará por lá. Ficarei do começo até o final das competições e tentarei ter um olhar atento não só para acessos, inclusão como para o potencial dos atletas, históricas das diferenças e exemplo de um país que, pelo que tudo indica, vai promover a maior e melhor Paralímpíada de todas…

Sorte para o nosso Brasil, sil, sil, sil!!!

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