Jairo Marques

Assim como você

 -

Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade

Repetindo o amor…

Por Jairo Marques

Podem achar lugar comum, mas no Dia dos Namorados neste blog é sinônimo de coraçãozinhos, de respiração descompassada e de mensagem que inspiram a todos na busca ou na manutenção do sentimento mais ‘melhor de bão’ que é o amoooor! 😀

Para me ajudar, a extraordinária fotógrafa Kica de Castro, que já estava fazendo uma falta danada nas páginas desse diário e é a maior especialista do país em clicar modelos ‘malacabados’, e um casal dos mais bonitos dessa vida: os arquitetos Sérgio e Ana Carolina.

A história dos dois ‘pombinhos’ (um deles com as patinhas quebradas 😉 ) revela que, às vezes, é preciso repetir alguns passos na nossa trajetória para, mais tarde, conseguir engatar uma dança perfeita…

Pessoas com deficiência, meu povo, podem e devem correr atrás de seus romances. Podem e devem acreditar que bem-querer não reside em quantos gominhos tem sua barriga ou na sua capacidade de enxergar uma face perfeitinha.

Sendo assim…..

“Nos conhecemos faz quase 11 anos, quando fazíamos arquitetura na faculdade Anhembi Morumbi. Começamos a namorar porque fiquei de DP (dependência) na matéria de Urbanismo e, no ano seguinte, entrei na classe dela para refazer a disciplina. Não só começamos namorar como fiz com que todo o meu grupo (cinco pessoas) repetisse de novo a matéria. Ta bem, fiz três vezes a mesma!” : )

Do tio: Sacaram o lance da repetição?!

”Em um certo dia 06/06/2005 fui visitar uma obra para tirar medida de um o projeto de um ambiente para fazer orçamento para venda de móveis, quando caí de um mezanino…  Depois de um tempo, me vi sendo socorrido por bombeiros. Operei e fiz um ano de diversas fisioterapias (cavalo, água, tatame, em hospital público ou particular em casa e mais um monte de lugar).”

Do tio: Caraca, ‘zente’, tem uns caprichos do dito destino que deixam a gente pensativo demais da conta, né, não?!

“Em um determinado momento, falei com a Carol que caso ela estivesse pensando em me largar e tomar outro rumo para a vida dela, que poderia ficar à vontade. Ela me mandou calar a boca e estamos junto até hoje!!!!”

Do tio: Mesmo eu não tendo sofrido nenhum acidente e ser assim, arroz de terceira, todo quebrado 🙁 , desde a infância, sempre quis deixar livre as mulheres (uuuia) que namorei. Acho que é uma nóia das pessoas com deficiência. Será que a fulana não quer mais liberdade, não quer viver outras coisas? Graças a Gzuis, eu sarei disso e amarrei minha patroa!

“No inicio de 2012, nosso apartamento ficou pronto, após mais de três anos de obras, ficamos noivos (já morávamos juntos 😀 ) e nos casamos no dia 4 de maio. Esperamos muito continuar vivendo intensamente e sempre buscando objetividade e prazer em tudo que fazemos em nossas vidas.”

Do tio: Ahhhh, que amorrr….

“Quando aconteceu meu acidente, já tínhamos muita cumplicidade um com o outro, porém houve ‘estranheza’ sim no começo e muita. Até saber como sair tranquilamente, como viajar sozinho, como fazer ‘sexinho’. No início, todos momentos que fazíamos algo novo, por mais simples que fosse, era meio complicado. Como ia ser? Como as pessoas iriam nos perceber?” 

Somente quando percebemos que as pessoas iriam nos ver de uma forma positiva, quando agíssemos com atitude positiva, sem ligar para que iriam pensar (tipo eu sou mais eu e pronto) é que tudo ficou mais legal.”

Do tio: Tudo se ajeita, né, pessoal? A gente aprende a lidar com o novo. Quando a gente curte uma pessoa, o que menos importa é o que os outros acham do ser amado. Na frente está sempre o que diz nossas emoções…

“Se você parar para pensar que na Parada Gay de São Paulo, que foi um sucesso e todo mundo viu pela TV, existe os mais diversos tipos de relacionamentos naquela diversidade toda. Por que alguém não vai querer amar um manquinho, um gago, um anão, um cego, um mudo, um cadeirante ?

As pessoas pensam da imagem da gente da maneira que queremos e de acordo com as atitudes que tomamos. Se você se achar bonito ou bonita e atraente terá grande chances em mudar qualquer situação. É só querer…..

Sérgio Roberto Cavalcanti, 36, é arquiteto e lojista. Tem uma loja de móveis planejados da marca Criare; Ana Carolina Kamio, 30, também é arquiteta e trabalha com vendas na Eliane marca de revestimentos cerâmicos.

*As imagens foram cedidas ao blog pelo casal e só podem ser utilizadas com a autorização dos dois. Contatos para ensaios: kicadecastro@gmail.com 

Blogs da Folha

Versão impressa

Publicidade
Publicidade
Publicidade