Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Propagandas

Por Jairo Marques

Parece que foi ontem que, só pra variar :D, estava aqui igual a um maribondão preto reclamando da total ausência de “malacabados” na publicidade brasileira. Parecia até que por aqui não existia um cristo puxador de cachorro, afetados do escutados de novela, prejudicados dos esqueletos tudo, lascados em geral na vida.

Mas essa realidade está mudando, e com muita velocidade. Por todo canto, tem ‘dificiente’ nas propagandas, o que é excelente para a identificação das pessoas, para firmar posição como cidadãos que somos, para mostrar à sociedade que somos parte ativa desse trem!

Bem, mas agora chegou um ooouuuutro momento. As coisas precisam ser aperfeiçoadas e ditas de uma forma mais próxima ao que é.

Não adianta apenas colocar lá um mondrongão em uma cadeira de rodas e falar que o sujeito precisa ser incluído. Claro que o objetivo da publicidade é vender uma ideia, um produto, mas que isso seja feita de maneira minimamente com o real.

Escolhi quatro exemplos, para o bem e para o mal, ‘proceis’ tudo entenderem melhor do que estou falando!

Bora começar com essa propaganda da Prefeitura de São Paulo que está no ar atualmente.

O mote é um tal de “Antes não tinha, agora tem”. Acontece que nessa ‘contação’ de vantagem, a agência de publicidade deu um derrapada braba.

Falando de supostos avanços na educação, a propaganda diz:

“Antes, crianças com necessidades especiais dependiam da ajuda dos pais ou dos coleguinhas para estudar. Agora elas tem as auxiliares de vida escolar, inclusive na sala de aula.”

Bem, meu povo, órgãos públicos precisam seguir a orientação estabelecida pela ONU: o termo é pessoas com deficiência, alunos com deficiência, crianças com deficiências… não rola esse trem de ‘necessidades especiais’.

A prefeitura tinha de ter visto isso e repassar o conceito mais adequado à população. Para quem quiser ver o comercial, é só clicar na imagem acima.

Bem, agora um exemplo que achei “bacanudo”. Já faz um tempinho, a empresa de telefonia Vivo tem apostado em anúncios publicitários voltados para toooodos.

“Exclusível”, uma leitora assídua desse diário, que é cegona e se chama Juju Braga, já foi estrela de um dos comerciais deles juntamente com seu cachorrão e príncipe Charlie.

No comercial que está no ar atualmente, todo feito com animações, bem bonitinho, tá lá um cadeirante todo pimpão saindo do metrô, mostrando interação, mostrando o “tudujunto”….

Para ver todo o anúncio, é só clicar na figura!!

Um outro anúncio que botou os ‘esqualepados’ na roda é da Justiça Eleitoral. Esse foi o que achei ter um derrapada bem das feias…

O leitor Rogério Martinez também botou reparo na desgraceira e mandou mensagem para mim. Primeiramente, vejam o vídeo aí de baixo com o título “Guerreiros”:

[youtube 4fCvZa6KPz4]

Beleza, bem produzido, com legendas, com serviço à população e com alerta para votar bem.

Mas me diga, zente, que raios eles quiseram dizer com “Para guerreiros não existem escadas ou apertos que os tirem do caminho” com um pobre de um tiozão cadeirante parado em frente de uma escadaria do cão???

Escada é ó do borogó para quem tem deficiência física e atrapalha pra burro. E a Justiça Eleitoral vive nos colocando em roubadas quando nos colégios eleitorais não há acessibilidade.

Elas existem sim. E precisam ser superadas não fazendo das tripas coração, mas com ações de inclusão, com respeito à diversidade.

“A luta é dura, mas a vitória dura quatro anos”, diz a propaganda. Como assim, a luta é dura? Tem de ser dura? Pra mim, tem de ser honesta, tem de ser igual, tem de ser respeitosa.

A impressão que fiquei é que temos de botar “a força de vontade” à frente dos desafios arquitetônicos…. Ah, vá ti catá, pô…

Eu pago imposto, eu sou cidadão, eu sou atuante na sociedade e não quero ficar estourando a veia do pescoço para conseguir viver com dignidade…

“Ceis” acham que tô exagerando? Que leituram fazem deste anúncio?

Por fim, ontem escutei na “rádia” um comercial de uma empresa que… faz adaptações para lojas, empresas, e demais locais de serviços aos público…

Achei super interessante já haver isso e, sobretudo, alguém já ter botado o olho de que promover acesso é negócio para atrair esse povão todo estropiado desse mundão.

Não me lembro do nome da empresa, infelizmente, mas o anúncio começa com o dono de uma loja falando que perdeu um cliente cadeirante porque o provador era muito pequeno…

Caraça, quantas vezes eu já deixei de comprar algo justamente por essa questão? Enfim… é isso!

 

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