Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Preso na rede

Por Jairo Marques

Meu povo, as pessoas ‘malacabadas’ das faculdades motoras, visuais, auditivas e do conjunto da obra (vulgo andativas, dos zóio, do zuvidos e perdidas num mato sem cachorro 😮 ) ganharam muita qualidade de vida com os avanços da internet.

Eu não caminho, mas é uma “deli” brincar nos simuladores de movimento, viajar por países diversos, levar um bonequinho virtual ao topo de uma montanha.

 Para os cegões, obras complexas podem ser “lidas” por programas já de ampla divulgação. Ou seja, as “internets”, sobretudo, deu o salão para a gente brincar o Carnaval.. 😛

São milhões e milhões de pessoas que interagem e levam boa parte de seus cotidianos com o apoio de máquinas eletrônicas, um luxo.

Com a tecnologia, também ficou mais fácil buscar informação sobre nossas “doenceiras”, sobre os problemas que enfrentamos no dia a dia (e soluções fáceis para eles), dividir experiências (olha os blogs aí!!!), abrir horizontes de possibilidades.

Com tudo isso à disposição, foi natural que os “matrixianos” ganhassem uma força significativa em suas manifestações, em suas demandas.

 Eu mesmo (admito que mais por causa da beleza do que por qualquer outra coisa) em meus perfis em redes sociais (para quem não sabe qualé, tá tudo do aí do lado direito da barra) juntei umas cinco ou seis pessoas.

Bem, mas enquanto a gente tá indo com o açúcar, tem gente já trazendo a rapadura. Toda essa gente reunida abriu um franco de atuação para pessoas de má-fé, para aproveitadores, para oportunistas de plantão.

Cada vez mais, tenho recebido mensagens de pseudo-empresas querendo me vender produtos milagrosos para melhorar minha saúde, oferecendo acesso a rede de namoro exclusiva (deficiente é tudo carente, então cai fácil nessa), oferecendo emprego que não existe, pedindo meus dados para cadastro em banco de dados fajutos.

Zente, não tem mais bobo no futebol, né, não? É preciso ficar atento em armadilhas da rede que só servem para nos enfiar em roubada. Os ‘espertos’ conhecem as supostas fragilidades, ‘inocências’ e vulnerabilidades dos ‘estropiados’ e vão atuar justamente por aí. Então:

– Jamais repasse dados seus para sites que querer “cadastrar” deficientes nem vá colocando sua documentação em planilhas que aparecem do nada

– Desconfie de convites para entrar em redes sociais desconhecidas e geridas por pessoas desconhecidas

– Não compre produtos ou serviços da internet que sejam desconhecidos, sem referências

– Ao adicionar uma pessoa em suas redes sociais, tenha cuidado ao compartilhar informações muito pessoais que possam botar sua segurança em risco

– Em chats (bate-papo) curta a brincadeira, paquere, mas esteja certo de que não existem princesas ‘maraviwonderful’ ou príncipes ‘espetaculosos’ se exibindo por aí. Leve as conversas na boa, deixe tudo acontecer a seu tempo, sem muita pressa de trocar telefones ou informações muito pessoais

– Não responda a emails com promessas de empregos sem origem definida, sem que esteja informado como se chegou a você, sem uma proposta dentro da realidade, sem referências para que você entre em contato…

Hummmmm… que mais? Alguém tem mais dicas, sugestões? Alguém já caiu em alguma pegadinha dessas?

Com toda certeza, a rede traz muito mais benefícios do que prende a gente em situações complicadas. Mas com um bocadinho de atenção, dá pra brincar muito mais tranquilo e tirar o máximo da utilidade dessa ferramenta tão importante!

* Imagens do Google Imagens

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