Jairo Marques

Assim como você

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Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de deficientes e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

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Antes de abortar

Pouquíssimas chances de viver estão restando aos bebês com microcefalia. Por aqui e por ali leio que eles “choram demais”, têm o cérebro completamente comprometido, têm deficiência visual, são abandonados pelos pais, pelo governo e nem as almas querem encarnar naquilo. A ciência e a medicina ainda não conseguiram demonstrar com exatidão como o vírus(…)

Fragilidades de um pai fresco

-Amor, corre aqui, “pelamor” de Deus- gritou amarrando lágrimas a mulher. Quando se pede a um cidadão cadeirante que está desmanchado em um confortável sofá que corra é porque a situação é de calamidade pública. Quando esse pedido vem de sua mulher, que conhece suas lerdezas como ninguém, é porque começou uma hecatombe. Ajeitei-me na(…)

Dez perguntas para (não) fazer a um cego

Continuando a série “dez perguntas”, já que atualmente fazer lista bomba nas “internets”, segue o capítulo dois, que tá melhor de ouro achado kkkkkkk O mérito do post é todo da minha amiga Jucilene Braga, que é cega e minha copiloto nessa kombi desgovernada rumo ao domínio do mundo pelo povo “malacabado”. Das pessoas com(…)

A esmola do ministro

O jornal “O Globo” conseguiu na tarde desta quarta-feira (13) um flagrante histórico: o ministro da saúde, Marcelo Castro, ao ser abordado por um cadeirante pouco antes de entrar na “viatura oficial”, dá a ele uma “caixinha” de 40 Dilmas. A cena, para mim, representa a legitimação ardida de uma imagem que tanto as pessoas(…)

Multa mais cara adianta?

Desde a semana passada, quem enfiar a charanga sem necessidade e direito em vagas de estacionamento reservadas ao povo quebrado das partes ou idoso está sujeito a tomar multa com valor aproximado de meia leitoa: R$ 127,69. O custo mais do que dobrou em relação ao antigo, infração de categoria leve; mesmo assim, permanece uma(…)

‘Coitadinhar’

Uma das melhores interpretações já feitas do verbo “coitadinhar”, neologismo que aprendi durante um papo-furado com uma grande amiga que é cega, foi feita no filme “Shrek”. Ela acontece no momento em que o Gato de Botas, para fugir de uma situação em que estava encurralado, esbugalhou os olhos, comprimiu o pescoço, ensaiou um choro(…)

O exército dos inválidos

Cansei de me atualizar sobre o número de bebês que vão nascer microcéfalos no Brasil depois, ao que tudo indica, da ação de um vírus carregado por um mosquito. Só sei que, de onde parei de somar, caso nada seja feito de concreto para recuperar o que for possível da qualidade de vida das vítimas(…)

O velho e a saudade

Fazia uns três meses que ele não me ligava para repercutir o calorão, para falar mal da Dilma ou para dizer que a caixa onde guarda meus textos em papel-jornal está transbordando. Mas eu sabia que ele precisava de algum tempo, de algum silêncio para se aprumar novamente diante da nova vida. – Ela não(…)

O grande filho

— Seu Jairim, peço desculpas, mas tenho de acelerar. Já são cinco para as quatro. — Tudo bem, mas aconteceu algo? Surgiu algum imprevisto? Deu dor de barriga? — Não, não. É que minha mãe fica me esperando chegar em casa. Se me atraso depois de 16h30, ela começa a me ligar, mandar mensagem, fica(…)

‘Maulicio’, 80

Só vi o seu Mauricio de pertinho uma vez e foi exatamente como tinha de ser, como aparecia em meus sonhos infantis. Ele me abanou um tchau e me soltou um sorrisão simpático, carismático. Tomou fôlego e seguiu com seus cuidadosos passos de pessoa com 79 anos, distribuindo olhares de abraço e cativando gente pelo(…)

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