Jairo Marques

Assim como você

Perfil Jairo Marques é jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP

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10 dicas inclusivas para candidatos

Por Jairo Marques
18/08/14 09:30

Meu povo, a campanha eleitoral está mais do que na rua, o horário eleitoral na TV está para começar e é momento de botar as cadeiras de rodas, muletas, aparelhos auditivos e a parafernália toda que auxilia os ‘zimininos’ com deficiência para fazer pressão nessa gente que se candidata para ser nossos representantes… ui :shock:

Em eleições passadas, toneladas de ações, discursos e atitudes bem porcas envolvendo pessoas com deficiência foram utilizadas para tentar abocanhar votos de “ceguinhos”, surdões, quebrados em geral e suas famílias.

Por essa razão e por eu ser um ‘minino bão’, fiz uma lista com dez dicas para que essa gente tenha, no mínimo, alguma noção de diversidade e que faça algo legítimo, bem elaborado e sem máscaras marqueteiras.

É mais do que necessário que temas envolvendo inclusão, acessibilidade estejam no rol de planos e propostas dos candidatos, mas os “interessados” não aguentam mais remendos, desconhecimento e falhas óbvias  no discurso dos que querem uma boquinha no poder.

1 – Não trate o eleitor com deficiência nem como um doente que precisa da sua benevolência nem como um super herói que merece seu sorriso mais falso. Trate como um cidadão de boa, mesmo!

2 – Na propaganda da TV, tenha o cuidado mínimo de oferecer legendas e tradução em libras para o seu blábláblá, caso você queira o voto de um surdo. Quando a cena for muito imagética, tipo o candidato comendo churrasquinho de gato no meio de uma muvuca, audiodescrição é importante para o entendimento dos cegos.

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3 – Tenha certeza absoluta que cada um dos cavaletes com sua fuça e seu número colocado no meio de uma calçada, impedindo o acesso a uma rampa, será um voto a menos de um cadeirante ou de um cego que irá esbarrar nesse troço.

4 – No Brasil, vigora a Lei de Cotas, que todo candidato com alguma dignidade deve saber que existe, então, bacana demais se na sua campanha você der o exemplo e empregar um ‘malacabado’ e também ter objetivos inclusivos em seu gabinete, caso seja eleito. Tanto irá ajudar a ampliar a noção de diversidade entre o grupo de funcionários como pode ajudar a evitar barbeiragens no trato com o público com deficiência

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5 – Cumprimente as pessoas com deficiência que vir ao longo da sua jornada em busca do voto, assim como faz com os outros eleitores. Tem dúvidas em como fazer para dar a mão a quem não tem??? Clica no bozo que eu ajudo.. . bozo

 

6 – Há centenas de demandas envolvendo o universo das pessoas com deficiência (sociais, de trabalho, de educação, de barreiras físicas e de atitudes, de saúde). É interessante e positivo que sua campanha tenha um bom bloco de ação (com conhecimento de causa) sobre essas necessidades.

7 – Não use em seus discursos, debates e falações em geral, as expressões: portadores de necessidades especiais, portador de deficiência ou ‘malacabado’ (esse é prerrogativa minha apanhar pelo uso :roll: ). O termo convencionado, humano e adequado é “pessoa com deficiência”. Também não use doente mental para tratar pessoas com deficiência intelectual. Para saber mais, leia a Convenção Mundial sobre a Pessoas com Deficiência da ONU.

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8 – Tenha muito cuidado e cara de pau ao encher uma Kombi com cadeiras de rodas, andadores, aparelhos auditivos ou qualquer outra “bondade” para o povão ‘estropiado’ e sair distribuindo pelas ruas. É crime, é compra de votos e nada contribuiu de fato para a cidadania. Aja para que o sistema público de saúde ofereça esses equipamentos com qualidade e rapidez.

9 – Jamais deixe seu carrão oficial, os seus intragáveis carros de som e qualquer carro com o seu logotipo (e da sua família também) ocupar uma vaga destinada a pessoas com deficiência. É o fim do mundo, é ilegal e pega mal até o final do mundo.

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10 – Se quer o voto da diversidade, tenha cuidados básicos como ter material de campanha em braile ou em arquivos digitais para cegos, procure ter um comitê de campanha com acessibilidade (rampas, banheiros mais amplo) e defenda, de fato, os valores da diversidade e da inclusão, inclusive cobrando acesso universal nas zonas e seções eleitorais.

* Imagens do Google Imagens

A dança dos passarinhos

Por Folha
13/08/14 03:00

A mulher me abordou com o desespero de quem havia perdido o último trem com destino a Pasárgada: “Amor, um casal abandonou seu bebê recém-nascido só porque ele tinha síndrome de Down!”.

A notícia tinha requintes mais profundos para provocar nó de dor no coração. O desejo do casal de australianos de serem pais –não de ter filhos, imagino eu– era tão grande que encomendaram a cria de uma barriga de aluguel nas Filipinas.

A mãe que gerou a criança, pelo que se divulgou, resolveu criar o bebê em sua pobreza, em sua falta de informação básica sobre as condições do filho, mas respeitando uma voz interna desesperada de que a vida humana é diversa.

Pode parecer inimaginável para quem já subiu na torre Eiffel, para quem já beijou a mão do papa ou para quem já jogou calcinha para o finado Wando pensar que seja possível habitar o planeta em condições tão adversas como as impostas pela intelectualidade descompassada, pela imobilidade total e até mesmo pela cegueira.

Os sonhos individuais de felicidades e de realizações transbordam em mares considerados coletivos para esses valores. Quando alguém não possui habilidade para seguir o padrão, o descarte passa a ser um caminho tentador.

Quando se somam a isso a falta de coragem para lidar com diferenças, a carência econômica e a ausência de apego, crescente entre crias e criadores, até a lata do lixo parece destino mais honesto do que ter dignidade para prover, educar e abraçar.

Não existem estatísticas oficiais que deem precisão ao fato, mas uma penca de “serumanos” deste país foi abandonada, juntamente com suas “inabilidades”, em leitos hospitalares, abrigos e ao deus-dará.

Acabo de ler um livro simples, mas capaz de abalar mastodontes com a sensibilidade de seus relatos. Trata-se de “Pulmão de Aço”, de Eliana Zagui, que foi deixada pelos pais no Hospital das Clínicas de São Paulo há quase 40 anos, quando o vírus da paralisia infantil entrou em seu corpo sem convite e nele fez uma festa de arromba.

Atada a um respirador que evita a fuga do último suspiro, a artista plástica brinda, pinta, escreve, chora e sente saudades à sua maneira. Em uma passagem da obra, ela relata um dos momentos que mais se deliciava, na sua infância e adolescência.

Aos sábados, por volta das 23h, muito tarde para um ambiente hospitalar, o apresentador Gugu Liberato aparecia na tela da TV soltando a franga e coreografando uma exótica “dança do passarinho”.

Eliana diz que, vez ou outra, a chefe da enfermaria, abruptamente, desligava a televisão antes da exibição, o que gerava nela muita tristeza.

Às vezes, a felicidade é mesmo igual à da música chiclete: “Passarinho quer dançar, o rabicho balançar porque acaba de nascer”. A complexidade a respeito de um futuro sem asas, do sentido de seguir adiante sendo mais lerdo que os outros pode ser discutida e pensada, mas bem longe de abutres.

Sorte minha e da minha mulher, encontramos numa loja de departamento, dias atrás, um pai todo sorridente e agarrado com sua passarinha down, numa cena de pura alegria de viver, como diz a canção. Talvez ela não consiga planar sozinha e cruzar oceanos, mas aquele pai há de valorizar e apoiar as travessias de sua filha em qualquer pingo d’água que seja.

Desbravador do Cerrado

Por Jairo Marques
11/08/14 09:30

Tenho mantras em prol do domínio do mundo pelo povão ‘malacabado’ que os leitores mais cativos deste espaço já sabem reproduzir logo aos primeiros “acordes”: em um país com as dimensões e problemas do Brasil, promover acessibilidade a partir de cidades pequenas pode surtir um resultado “maraviwonderful” e mais rápido.

Um outro é que, sem iniciativa e esperneios das próprias pessoas com deficiência – mesmo com dores, um bocadinho de humilhação (ui) e domínio do que são seus direitos- precisam sair às ruas, mostrar a cara e exigir inclusão.

Por essa razão, quando esbarro com histórias de gente que ostenta essas bandeiras com vigor e praticamente sem apoio, pois estão isoladas em confins do país e lutam praticamente sozinhas com seus cambitos finos, escutador de novela avariado ou não vendo um elefante passando a frente do nariz, vibro e faço questão de trazer aqui para o blog.

“Sou vendedor de kits escolares e percorro o interior do país dirigindo por cidades muito pequenas. Sou de Goiás, mas já devo ter rodado por todos os Estados do país dirigindo. Tenho distrofia muscular de cintura e devo ser o ‘exemplar’ com a doença que mais dirigiu neste pais.” :)

Viagens de Claudio pelos rincões do país

Viagens de Claudio pelos rincões do país

Quem faz essas jornadas todas é o cadeirante (que tem uma cadeira nem tão levinha e moderna) Claudio Roberto Cunha, 39, que enfrenta uma realidade que pouquíssimos “malacabados” teriam disposição, coragem e fôlego para enfrentar.

“Minha esposa me acompanha estrada afora. É companheira para tudo. Enfrento todas as dificuldades possíveis. Os hotéis em cidades muito pequenas não estão preparados para deficientes muito menos a estrutura urbana. No interior do Nordeste, já fui a localidades onde as ruas eram totalmente feitas de pedras. Nem eu acredito.”

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Acessibilidade em hoteis é sempre um desafio Brasil afora

Não, não vejo o Claudio como um “exemplo”, vejo como um desbravador do Cerrado que vai abrindo caminhos, com seu esforço, para que outras pessoas possam sair de casa, possam ter direito ao espaço público e à cidade.

Alguém pode estar pensando: “Caraca, mas porque o cabra não escolheu algo mais tranquilo para tocar a vida?”

Penso que, muitas vezes, os rumos da gente não é somente uma questão de “escolha”. Outra: se ele tem talento para as vendas, se o que ele precisa fazer para cumprir suas metas exige esses desafios, bora seguir adiante, uai! A vida é mais dura para quem é muito mole, né, não?!

Exemplos de locais por onde o vendedor passou

Exemplos de locais por onde o vendedor passou

“Trabalho com essas vendas ‘porta em porta’ há três anos. Rodo pelo menos 150 quilômetros por dia. Já percorri todas as cidades de Goiás, parte do Tocantins, do Maranhão, o Pará, a Bahia, São Paulo, Minas.

Penso que, nos grandes centros, a aceitação das pessoas com deficiência é maior, as pessoas estão mais acostumadas com a diversidade. No interior, há muito estranhamento quando veem um cadeirante trabalhando.”

Rampas em cidades interioranas ainda são artigos de luxo

Rampas em cidades interioranas ainda são artigos de luxo

O programa “viver sem limites”, do governo federal, dispõe de recursos para quaisquer administrações apresentem projetos de acessibilidade, bastando apresentar um projeto e cumprir trâmites burocráticos.Ponto importante que já reparei e comentei aqui no “ACV” é que há cidades que pegam a grana, enchem suas regiões centrais de rampas e vagas de estacionamento para deficientes e acham que ficaram grandes avanços. Não, é preciso planejar, discutir prioridade e, principalmente, ouvir o público mais atingido.

“Como trabalho diretamente com escolas, posso dizer que até existem algumas, no interiorzão, com acesso, mas várias ainda não possuem. Como já disse, hotéis são um problema. Já tive de procurar pouso em outra cidade, fora daquela que eu estava trabalhando, para conseguir usar um banheiro, dormir”.

Claudio tem duas filhas, uma de 20 anos e outra de 17 anos, mora em Morrinhos (GO) e já ficou com o carro parado na estrada por várias vezes durante suas jornadas.

Quando o carro quebra no meio do"nada", sempre um motorista corre para ajudar

Quando o carro quebra no meio do”nada”, sempre um motorista corre para ajudar

“A minha sorte é que o brasileiro é solidário demais. Quando veem um motorista cadeirante com o carro quebrado na estrada, não tem jeito, param, ajudam e dão todo o apoio.

Meu sonho, agora, é ir dirigindo até o Chile, onde existe um grande centro de tratamento para o meu tipo de distrofia. Mas, até lá, sigo minha vida muito feliz ao lado da minha espaço, da minha família e do meu traballho”.

Ahhhhhhh, zente…. falaí se num é uma história gostosa para começar a semana!?!

Estudos sobre deficiência

Por Jairo Marques
08/08/14 09:30

Até hoje, no Brasil, as preocupações envolvidas na realidade do povão ‘malacabado’ das vistas, das partes, do escutador de novela e da cachola são basicamente ligadas a demandas médicas (e olhe lá!).

São muito frescas (ui) pesquisas em torno de comportamentos, escolaridade, distribuição geográfica e necessidades em geral das pessoas que fogem à curva da “normalidade” física, sensorial ou intelectual.

Até mesmo os órgãos oficiais de sondagem, com o IBGE, possuem apenas amostragens sobre esse público. Bem, aquilo que se desconhece costuma-se relegar a segundo plano, costuma-se analisar com conceitos equivocados, costuma-se inferiorizar.

Fala-se sobre a pessoa com deficiência, cria-se projetos e iniciativas para ela, cria-se políticas públicas amparadas, muitas vezes, em impressões, em pressões de grupos e ou com base em tecnicismos distantes das reais demandas.

Nesse sentido, acho ‘maraviwondeful’ uma iniciativa que acontece a partir da semana que vem, no Palácio das Convenções, no Anhembi, aqui em São Paulo: Um seminário que abre espaço para debater estudos relativos aos ‘zimininos’ deficientes.

estudos

É evidente que neste universo, as experiências de vivência, de conhecimento empírico, de “sentir na pele” possuem um peso muito importante para a criação de retratos da trupe.

Este blog, por exemplo, é fruto das minhas andanças (ou melhor, cadeiranças  :cool: ) e do que colhi ao longo da vida na interação com o povão quebrado, de qualquer maneira, ficam lacunas de informação mais objetiva, mais direta e mais completa do público.

Dentre os diversos aspectos que serão debatidos no evento, que começa na próxima quarta-feira (13/08), estarão: educação, direitos sociais, maturidade e comunicação.

O tio vai estar por lá, contando umas “verdades”, no dia 15, às 14h. Abaixo, segue a programação completa para quem quiser conferir.

Mais informações podem ser obtidas em: simposio.deficiencia@sedpcd.sp.gov.br

Bora lá?!

PROGRAMAÇÃO

Capitalismo, Sustentabilidade & Deficiência – Dia 13, das 14h às 16h

Wederson Rufino dos Santos (Anis / INSS)

Assistente Social graduado pela Universidade de Brasília (UnB) em 2007. Mestre em Política Social e doutorando em Sociologia também pela UnB. Finalista do Prêmio Destaque do Ano de Iniciação Científica de 2007, prêmio organizado pelo CNPq. Chefe da Divisão do Serviço Social do INSS. Pesquisador da Anis: Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero. Membro do Grupo de Pesquisas Feminismo, Direitos e Políticas, do Departamento de Serviço Social da UnB. Professor do curso de Serviço Social da Faculdade de Ciências da Saúde (FACISA) de Unaí-MG desde agosto de 2011.

Cláudia Werneck (Escola de Gente)

Idealizadora da Escola de Gente – Comunicação em Inclusão. Em nome desta ONG recebeu, em 2011, a mais alta condecoração oferecida pelo Estado brasileiro: “Prêmio Direitos Humanos” da Presidência da República. Escritora, pesquisadora, articulista, consultora, ativista e palestrante internacional. Tornou-se, no ano de 2000, a primeira escritora no Brasil a ter sua obra recomendada simultaneamente por UNESCO e UNICEF. Em 2014 a Fundação Essel reconheceu que a Escola de Gente é um dos “40 projetos mais inovadores do mundo” na área de inclusão. Claudia Werneck é formada pela UFRJ com especialização em Comunicação e Saúde pela FIOCRUZ. Publicou 14 livros sobre direitos humanos, diversidade e inclusão para crianças e adultos/as (WVA) em português, espanhol e inglês, com mais de 300 mil exemplares vendidos.

Educação & Deficiência – Dia 14, das 14h às 16h

Maria Teresa Mantoan (Unicamp)

Pedagoga mestre e doutora em Educação pela Faculdade de Educação da UNICAMP. Professora dos cursos de pós-graduação da Faculdade de Educação da UNICAMP. Coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença – LEPED/ UNICAMP. Cavaleira da Ordem Nacional do Mérito Educacional pelos relevantes serviços prestados à educação brasileira.

Adriano Nuemberg (UFSC)

Professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSC. Psicólogo, Mestre em Psicologia e Doutor em Ciências Humanas. Coordena o Núcleo de Estudos sobre Deficiência da UFSC e tem publicado artigos e capítulos sobre essa temática.

Maria Cristina da Cunha Pereira (Derdic / PUC-SP)

É graduada em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Mackenzie, tem mestrado em Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas. É professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e linguista da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, da PUCSP. É professora da parte teórica da disciplina de LIBRAS, da PUCSP, pesquisadora na área da surdez e tem publicações na área de aquisição da Libras e da Língua Portuguesa por crianças surdas.

Fábio Adiron (ESPM)

Pai de duas crianças (uma com Síndrome de Down), é consultor e professor de marketing. É membro da Comissão Executiva do Fórum Permanente de Educação Inclusiva. Moderador do grupos Síndrome de Down e colaborador de publicações ligadas à educação e inclusão (Rede Saci, Planeta Educação, Tópicos em Autismo e Inclusão).

Maturidade & Deficiência – Dia 14, das 16h:30 às 18h:30

Lia Crespo (Memorial da Inclusão / SEDPcD)

Graduação e mestrado em Jornalismo e doutorado em História Social, pela Universidade de São Paulo. Militante do movimento social das pessoas com deficiência desde 1980, cofundadora do Núcleo de Integração de Deficientes (NID) e do Centro de Vida Independente Araci Nallin. Autora do livro infantil Júlia e seus amigos (Nova Alexandria, 2005), que trata de deficiência, preconceito, educação inclusiva e a importância da amizade para a construção de uma sociedade para todos.

Izabel Maria Loureiro Maior (UFRJ)

Mestre em Fisiatria e docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Participou da criação e foi titular da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, de 2002 a 2010. Atuou diretamente da elaboração da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência na ONU e liderou o processo de sua ratificação. Coordenou a elaboração dos decretos da acessibilidade e do cão-guia entre outros. Está no movimento de luta desde 1977 e idealizou o projeto da História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil, lançado em 2010. Recebeu prêmio da Organização dos Estados Americanos – OEA, em “Reconhecimento por seu trabalho para um Continente Inclusivo”. Autora, conferencista, consultora e fonte de referência nos temas: pessoas com deficiência, políticas públicas, direitos humanos, acessibilidade e inclusão social.

Marta Fuentes Rojas (Unicamp)

Psicóloga, mestre em educação e doutora em Saúde Coletiva. Docente e pesquisadora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas. Discute a questão do adulto na pessoa com deficiência intelectual. Trabalha com grupos em situação de risco e vulnerabilidade (adolescentes, pessoas com deficiência, comunidades). Educação em saúde. Coordenadora do Laboratório de Psicologia, Saúde e Comunidade. Ministra as disciplinas de Psicologia e Saúde coletiva nos cursos de Ciências do esporte e no curso de Nutrição.

Comunicação & Deficiência – Dia 15, das 14h às 16h

Jairo Marques (Folha de S.Paulo)

Atuou como repórter da Agência Folha durante sete anos participando das mais diversas coberturas pelo país. Ingressou no jornal Folha de S.Paulo por meio do programa de treinamento da 27ª turma, em 1999, meses após se formar em jornalismo pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Tem pós-graduação em Jornalismo Social pela PUC-SP. Foi chefe de reportagem, coordenando a produção da equipe de correspondentes nacionais do jornal e mais um grupo de repórteres na sede, em São Paulo. Atualmente, é colunista do caderno “Cotidiano”, da Folha de SP. Escreve sobre cidadania, direitos humanos e aspectos da vida da pessoa com deficiência. Também mantém o blog “Assim como Você”, na plataforma online do jornal, onde se dedica a debates sobre acessibilidade, inclusão e demais assuntos relacionados à deficiência física, sensorial e intelectual. É cadeirante desde a infância.

Lúcio Carvalho (Inclusive)

Coordenador-Geral da Inclusive – Inclusão e Cidadania: agência para promoção da inclusão (www.inclusive.org.br) e autor de Morphopolis (www.morphopolis.wordpress.com).

Lara Pozzobom (Lavoro Produções)

É diretora e curadora do Festival Assim Vivemos, Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência, que está em sua sexta edição e foi o responsável pela introdução da Audiodescrição em eventos culturais no Brasil. Produziu quatro premiados curtas-metragens de ficção e os longas-metragens Incuráveis, (2005) e Saias (2014), além de diversas mostras de cinema. Produziu também peças de teatro, entre elas o infantil Leonel Pé de Vento, com acessibilidade. Concebeu o Portal Acessível Blind Tube. Fez a curadoria e a produção executiva do Programa Assim Vivemos, da TV Brasil. Atualmente, dirige os projetos de Acessibilidade no Teatro no Oi Futuro e no Teatro Carlos Gomes. É mestre em Literatura Brasileira e doutora em Literatura Comparada (UERJ).

O teleférico para a cachoeira

Por Jairo Marques
06/08/14 09:30

Nas três cidades da Serra Gaúcha com mais apelo turístico, Gramado, Canela e Nova Petrópolis, o conceito de acessibilidade já é bastante difundido e aplicado.

São regras rampas de acesso (as de Gramado são ruins, mas as de Canela são amplas e exemplares), vários locais possuem piso tátil, é comum encontrar banheiros acessíveis e pessoas com deficiência são bem recebidas.

Claro que ainda há construções com improvisações nada adequadas e pontos sem acesso, mas é importante registrar que um movimento inclusivo já existe.

Algo que muito me chamou a atenção e me deixou mais contente que vendedor de pastel em dia de feira foi o Teleférico do Caracol, uma instalação novinha que permite aos turistas que vão até a cidade de Canela apreciarem beeeem do alto as belezas da serra e o desbunde de uma cachoeira de 130 metros de queda.

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Fui até o local bem ressabiado e sem grandes expectativas. Normalmente, essas instalações alegam questões de segurança apartar os quebrados da brincadeira.

Qual não foi minha surpresa ao saber que todo o complexo era “malacabado friendly” :) … A empresa que explora o serviço investiu R$ 15 milhões para que todos pudessem desfrutar de um passeio mega blaster gostosão!

Saquem um videozinho que a patroa fez comigo lá no altão, todo no desfrute …. ;)

Passeio de bondinho

O valor da entrada é salgado: R$ 35 (deficientes pagam meia :) ), o que inclui subir e descer o quanto quiser nas três estações do teleférico, estacionamento (há vagas inclusivas), passeio por uma pequena trilha ecológica e apreciar de um ângulo privilegiado a cachoeira.

estacionamento

Os bondinhos são novos, seguros e acomodam tranquilamente uma cadeira de rodas. Quando uma pessoa com mobilidade reduzida quer entrar no equipamento, os técnicos param os motores e auxiliam no embarque, tudo “bem xuxu”.

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É possível acomodar uma rampa na entrada dos bondinhos, caso seja necessário. Em uma das estações, há banheiros acessíveis, lanchonetes e lojas de bugigangas.

Na primeira estação, os visitantes já conseguem ver a cachoeira (de longe!) e podem relaxar em uma trilha (com piso super de boa para todos) cheia de árvores, bichos e plantas.

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No ponto de maior interesse das pessoas, a terceira estação, que leva para uma visão ‘maraviwonderful’ da cachoeira do Caracol, mais uma surpresa bacanuda: para quem não se dá bem como as escadas, há um elevador que transporta até o deck de observação.

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O espaço é amplo, seguro e proporciona uma experiência visual e sensorial (com o vento, o cheiro, o barulho da água) incríveis e para todos!

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O ônibus turístico que leva até o teleférico e a outros parques também é acessível. Então, qualquer pessoa pode aproveitar o passeio. Como não sou de ferro, na saída, passei em uma adega que faz experimentação de vinhos… para dar uma esquentada! kkkkkkk

“Achados” da inclusão

Por Jairo Marques
04/08/14 09:30

Meu poooovo, como diria o rei Roberto Carlos, “eu volteeeei… voltei para ficar” kkkkkk… Depois de “uma semaninha” de férias, retomo as atividades aqui no blog. Peço um pouco de paciência para quem me mandou email com pedido ou sugestões por esses dias. Logo colocarei tudo em dia.

Nesta semana, farei um apanhado sobre os “achados” da inclusão que me deparei durante esse período de descanso! Aêêêê

Fui passear pela Serra Gaúcha. Percorremos de charanga milhares de quilômetros para curtir o friozinho e desbravar essa região tão bonita do país.

Um ponto bastante positivo e que falarei mais sobre isso no futuro são as condições de acessibilidade de postos de beira de estrada. Parei em diversos para usar a casinha :shock:  e em sempre encontrei acessibilidade básica: banheiro ok, pessoas preparadas para dar atenção, abrir portas quando necessário…

Neste posto de uma rede paranaense, bem pertinho de Curitiba (PR), fiquei surpreso com o nível de inclusão: no WC, não se esqueceram de botar a adaptação da válvula de descarga para facilitar o acionamento para quem tem os braços ‘mamolengos’ e também na torneira da pia.

Na válvula de descarga, uma adaptação simples ajuda a vida de pessoas com menor força nos braços e mãos!

Na válvula de descarga, uma adaptação simples ajuda a vida de pessoas com menor força nos braços e mãos!

Isso sem falar no tamanho do local, onde é possível dançar um arrasta pé dos bons! O local estava limpo, não era utilizado de depósito e estava muito bem localizado.  :cool:

Na torneira da pia, uma pequena alavanca resolve muito!

Na torneira da pia, uma pequena alavanca resolve muito!

A primeira parada para descanso mais longo e passeio na minha viagem foi em Blumenau (SC). “Sem querer”, rolava por lá uma festa para comemorar os 12 anos de uma cervejaria local… fiz o favor de dar uma passadinha lá para ‘celebrar’ de leve, como podem ver na fota abaixo…  :mrgreen:

Tio Jairo com cara de menino que fez arte degustando dois choppinhos de uma só vez...

Tio Jairo com cara de menino que fez arte degustando dois choppinhos de uma só vez…

Blumenau não tem grandes destaques inclusivos. Há rampas em regiões mais movimentas e turísticas, mas as calçadas padecem do desleixo geral dos passeios de todo o país.

Mas o que me chamou mesmo a atenção foi essa “obra” arquitetônica que me deparei no quarto acessível do hotel, o Íbis Blumenau. Geralmente, escolho hotéis da rede porque são padronizados e o perigo de errar é pequeno… massssss…

O banheiro do quarto foi desenhado de uma maneira absurda, que foge a qualquer lógica. Gravei um videozinho rápido para que “ceitudo” tenham uma noção maior do que rola por lá!

Impossível, neste caso, que um cadeirante consiga entrar no box de banho, que tem uma rampa e cuja cadeira está do lado de fora, sozinho…

Aliás, uma coisa que não tem nada a ver com a acessibilidade, mas que também é bizarra: a pia e, consequentemente, o espelho do banheiro ficam bem frente ao… vaso sanitário… dá para você se apreciar enquanto… pensa na vida!!!! :)

Ahhhh, fafavor! Ou o brasileiro toma banho de canequinha na pia ou fica sujão. (No meu caso, pedi uma ajudinha pra minha deusa, mesmo  :oops: )

Uma rampa para entrar no box? Invenção das mais malucas... e como entrar no local com uma cadeira de rodas?

Uma rampa para entrar no box? Invenção das mais malucas… e como entrar no local com uma cadeira de rodas?

Fiz uma reclamação formal à rede Accor sobre as condições do banheiro, que impede a autonomia de uma pessoa com deficiência. Ainda não me deram nenhuma resposta.

Banco de banho do lado de fora de box.. me digam, para quê?

Banco de banho do lado de fora de box.. me digam, para quê?

Em Caxias do Sul, já no Rio Grande do Sul, no hotel da mesma rede, a arquitetura da casinha seguiu a mesma arquitetura desarranjada… Aí não pode… não é possível fazer “o que dá”… é preciso planejar para fazer o ideal, o usual e o cômodo para as pessoas!

Ao longo da semana, conto mais sobre as férias! Tem surpresas beeeem legais!

A minha imagem da Copa

Por Jairo Marques
24/06/14 13:06

Ainda faltam um queijo e uma rapadura para acabar o Mundial, mas já elegi a minha imagem que marcará essa competição para sempre:

Jogador da Seleção da Austrália observa garoto entrar em campo de muletas

Jogador da Seleção da Austrália observa garoto entrar em campo de muletas Crédito: Xinhua/Liu Dawei

Claro que só poderia ser a do meio-campista Mark Bresciano, da Austrália, que, na semana passada, entrou em campo ao lado do garoto Alan, que usa muletas.

Mais do que isso, o craque se abaixou, no meio do gramado, e fez a gentileza de amarrar as chuteiras do moleque.

Ahhh. Tio Jairim, mas o que tem de mais? Qualquer um faria isso, uai.”

Reprodução de imagem postada no Twitter no Atlético Mineiro, que mostra o momento em que Mark se abaixa para amarrar o cadarço da chuteira de Alan Crédito: Reproducao/@catleticomg/heraldsun/George Salpigtidis

Reprodução de imagem postada no Twitter no Atlético Mineiro, que mostra o momento em que Mark se abaixa para amarrar o cadarço da chuteira de Alan Crédito: Reproducao/@catleticomg/heraldsun/George Salpigtidis

Tem que essa imagem é honesta, não tem apetrechos, não tem mimimis. Ela mostra uma criança com deficiência de verdade fazendo aquilo o que diversas outras também fizeram: acompanhou uma seleção entrar em campo durante uma Copa do Mundo.

Essa demonstração tem o poder de valorizar as diferenças e as necessidades particulares das pessoas. Tem potencial para instigar que mais gente acredite que cada um joga da maneira que consegue, que bem entender.

Poxa, imaginem vocês se a seleção brasileira entrasse em campo acompanhada de toda a diversidade que compõe o nosso país: um pretinho, um cadeirantinho, um japinha, um indiozinho, um downzinho…. isso sim seria impactar o planeta.

A questão não é fazer uma caridade para um desgraçado, é mostrar que na nossa festa todo o mundo pode brincar, pode sonhar, pode se divertir, pode torcer.

Já se sabe que ganhará o melhor, o mais forte, o mais concentrado o mais blablabá, então, que bacana é compartilhar uma mensagem de que sonhos são possíveis sempre e para qualquer pessoa?

Quando o jogador ajudou Alan, ele deu um recado de humildade e de inclusão. Nenhuma parafernália vai substituir a dedicação e a vontade do coração e da alma humana.

Cadeirantes fajutos

Por Jairo Marques
20/06/14 09:30

Pipocam nas redes sociais imagens de supostos larápios que compraram ingressos para Copa se passando por pessoas com deficiências e tendo o direito de ficar em lugares com visão bacana dos estádios.

Os flagrantes mostram os supostos cadeirantes fajutos em pé, o que demonstraria que eles não precisariam daqueles espaços, que são falsários, aproveitadores, crápulas e tudo mais.

Já li até que a polícia vai investigar as imagens do que estão sendo considerados “milagres do Mundial”. Bem, antes de descascar a melancia nessas pessoas, é preciso fazer algumas considerações:

- Nem toda pessoa que precisa de uma cadeira de rodas está totalmente impossibilitada de ficar em pé. Há deficiências que não permitem a marcha, por exemplo, e a pessoa tem a cadeira como um suporte.

- Pessoas em recuperação de um pé quebrado, de uma perna em frangalhos podem fazer uso de cadeiras de rodas e podem ficar em pé.

- Pessoas com órteses que dão sustentação aos membros inferiores podem usar cadeiras de rodas e podem também ficar em pé.

“Tio Jairim, cê bebeu todas na festa junina, né?”

Sim, mesmo com todas essas considerações preciso admitir que haja reais aproveitadores na turma, por mais que me doa “as partes” imaginar o seguinte roteiro:

Primeiro, a pessoa mentiu uma condição física para comprar o ingresso, depois, ela deu um jeito de arrumar uma cadeira de rodas, em seguida, ela passou por uma revista e pelos olhares dos fiscais numa boa para manter a sua mentira…

É possível tudo isso?

É triste imaginar que sim. É triste, a partir de agora, uma pessoa com uma necessidade legítima de um lugar com características diferentes seja olhada torto devido à ação nojenta de gente indigna de receber o título de “civilizada”.

Exemplo de imagem com suposta "cadeirante fajuta" que circula pelas redes socias

Exemplo de imagem com suposta “cadeirante fajuta” que circula pelas redes socias

Quando se grita pelos flagrantes desrespeitos aos direitos do povo “malacabado” está se externando a discussão de ampliar a visibilidade e as informações sobre as diferenças.

Os cadeirantes fajutos são fruto de uma sociedade que dá as costas para pressionar com vigor por mais educação, por mais respeito à diversidade, por mais cidadania.

Todas as vezes que eu preciso provar que sou do time dos quebrados, me apoquento, fico #xatiado e considero o fim do mundo. Seria desnecessário medidas assim, caso o ser humano fosse um tiquinho menos egoísta, tivesse mais consciência sobre demandas dos outros.

Mais do que a polícia descobrir se esses torcedores desonraram milhares de pessoas com deficiência e a Justiça condená-las por falsidade ideológica (seria isso, amigos juristas?), é chance de todos os brasileiros refletirem sobre a carência de contato e conhecimento básico em relação às diferenças físicas.

Aos cadeirantes, também fica a reflexão de que a percepção de que “não se usa” a vaga determinada, o ingresso reservado, o emprego da cota está ganhando terreno e fomentando, cada vez mais, o oportunismo.

Dessa maneira, temos de enfrentar com o “carão” e com a coragem todas as flagrantes adversidades desse país para que larápios não se achem no direito de nos atropelar.. mais uma vez.

O Social às avessas

Por Jairo Marques
18/06/14 09:44

Com frequência, recebo pedidos de empresas para dar uma “mãozinha” na divulgação de seus grandes trabalhos sociais cujo pano de fundo, algumas vezes, é limpar a barra da carência total de retribuição pública por seus gordos lucros e lustrar um pouco mais suas reluzentes marcas.

Os absurdos são mais risíveis que dar anel de bijuteria para a rainha da Inglaterra. É a rede de sanduíche que prega a gentiliza, mas não dispõe de cardápios em braile em suas unidades; é a multinacional de turismo que quer fazer um pacote de viagens exclusivíssimo para gente quebrada, mas não emprega deficientes; é a empresa que diz amar crianças de rua, mas não possui programa voltado a aprendizes.

O desespero para mostrar o quanto a firma é bacana com pobres, doentes, infelizes e desgraçados de toda sorte pode atropelar o bom senso e passar à frente de uma estratégia que prime, verdadeiramente, por causar impacto às pessoas e beneficiar positivamente a companhia.

Certa feita, assessores de um conglomerado quiseram me convencer do quanto era “bacanuda” sua ação de vendas. O brasileiro comprava o equivalente a um quilo de ouro em produtos da marca “boazinha” e, depois, um real seria revertido para a compra de cadeiras de rodas.

“Mas que tipo de cadeira: de papel, de plástico?”

“Isso a gente vai precisar estar checando, mas qualquer uma ajuda, não é?”

Não, infelizmente, não é qualquer ação que, de fato, irá causar efeito positivo na vida de grupos socialmente vulneráveis. Achar que algo é bom para o outro sem ouvi-lo ou conhecê-lo com alguma propriedade e aprofundamento é oportunidade certa para fomentar bobagens.

Também virou moda para ganhar confetes por meio do marketing social gravar vídeos regados a momentos de emoção, com cachorrinhos sorrindo e crianças latindo, no momento em que a bondade está sendo realizada.

Como constrangimento pouco é bobagem, bota-se um representante da marca para beijar com o maior entusiasmo do mundo os meninos catarrentos do abrigo de desamparados. Ao fundo, uma música instrumental e, no final, uma mensagem engrandecendo a memorável benesse realizada para “aquela gente” sem eira nem beira.

Pessoas excluídas e instituições filantrópicas precisam de apoio financeiro e de suporte de toda ordem, mas a boa colaboração precisa somar ao ideal de acesso, de igualdade e não pode atropelar reais necessidades, valores e objetivos.

Bons exemplos de parcerias têm sido as realizadas entre hospitais e organizações que atuam contra o câncer infantil e companhias privadas endinheiradas. Está tudo certo trocar a fofura dos rostos dos que encaram tratamentos hostis e as vozes embargadas de agradecimento de seus fragilizados familiares por financiamento de pesquisas, recursos para procedimentos médicos e conscientização social.

Feio é querer apenas subtrair lágrimas e constrangedores obrigados de duras realidades. É angariar aplausos sem merecimento. É fazer propaganda com tristezas para isoladas felicidades. Feio é doar aquilo que mais convém, mesmo que seja um elefante para aqueles que vivem em iglus.

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